SIP denuncia intimidação a canais de TV da Venezuela

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) denunciou a investigação oficial de dois canaisde televisão na Venezuela que supostamente violaram regulamentos dos meios de comunicação, afirmando que a ação constitui "outratentativa nociva" do governo de calar a imprensa e limitar o direito do público à informação.Em comunicado emitido de sua sede em Miami, a SIPdenunciou as investigações sobre as estações de televisão privadas Globovisión e Radio Caracas Television (RCTV).O governo venezuelano argumenta que precisa examinar os programas desses canais para verificar se violaram normas sobretelecomunicações. O governo do presidente venezuelano Hugo Chávez tem mantido confrontos com a imprensa, à qual acusa de favorecer a oposição durante uma greve geral iniciada há 52 dias e que vem causando graves prejuízos à economia do país, principalmente à indústria petrolífera.O governo venezuelano acusa as emissoras de divulgar propaganda tendenciosa a fim de subverter a ordem, fazer apologia do delito, transmitir notícias falsas e desrespeitar asinstituições e autoridades públicas, entre outras alegações.Rafael Molina, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, advertiu sobre o "grave perigo de que se tomem medidas extremas contra a RCTV e a Globovisión"."A revisão dos conteúdos da programação dos canais é um ato desesperado do governo e uma violação da liberdade de expressão", afirmou Molina, diretor da revista dominicanaAhora.Acrescentou que "é um absurdo que entre o material a ser revisado pelo organismo oficial estejam as coberturas especiais, os flashes informativos sobre a greve iniciada emdezembro passado, assim como a divulgação de anúncios da Coordenadoria Democrática, que agrupa partidos de oposição, por transmitir informação de interesse nacional e internacional emhorário destinado a programas dirigidos às crianças"."Lamentavelmente, não estranhamos estes novos atos de intimidação contra os meios de comunicação e os jornalistas - aqueles que, em meio ao acalorado clima de confronto,tornaram-se alvos favoritos da intolerância", concluiu Molina.

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