Síria acusa EUA por "terrorismo" no Iraque

A Síria pediu aos Estados Unidos que retirem suas tropas do Iraque sob a alegação de que a presença das tropas americanas está levando aos caos e ao terrorismo, segundo declarações publicadas nesta quarta-feira. "Quando os Estados Unidos entraram no Iraque, não existia o problema do terrorismo. Agora existem os problemas do terrorismo e da Al-Qaeda", disse Bushra Kanafani, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Síria, em entrevista ao jornal saudita Asharq al-Awsat, editado em Londres. Líderes da Al-Qaeda, acusados pelos atentados de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos, conclamaram militantes islâmicos a atacarem alvos americanos no Iraque. Entretanto, as autoridades americanas negam a existência de evidências concretas segundo as quais a rede extremista estaria organizando a insurgência no Iraque. Os EUA acusam sistematicamente a Síria de não dar garantias suficientes de que militantes islâmicos não estariam entrando no Iraque por sua fronteira. As autoridades sírias alegam ser difícil evitar infiltrações pela extensa e pouco vigiada região fronteiriça entre os dois países. A Síria se opôs à invasão do Iraque pelos EUA e figura na lista do Departamento de Estado americano sobre países que "patrocinam o terrorismo". De acordo com Kanafani, "o problema aqui não é Síria, mas os Estados Unidos". Ela comentou que os EUA poderiam ajudar na restauração da ordem se aceitassem um cronograma para a retirada de seus soldados no Iraque e concedessem mais espaço para as operações de manutenção de paz da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo Kanafani, força de outros países "poderiam comportar-se de forma mais aceitável para o povo iraquiano e levar o Iraque para perto da retomada de sua soberania, organizando eleições livres que resultem em um governo escolhido pelos iraquianos, acabando assim com o problema". O presidente da Síria, Bashar Assad, também acusou recentemente os Estados Unidos pela atual instabilidade no Iraque. "O mundo descobriu que a guerra de ´libertação´ do Iraque libertou os cidadãos iraquianos da presença do Estado, das instituições, da soberania, da dignidade, da comida, da água e da eletricidade", declarou o líder sírio durante discurso na Organização da Conferência Islâmica, realizada em outubro na Malásia. "Os cidadãos iraquianos foram ´libertados´ do dom da vida e todos, sem exceção, descobriram que as justificativas para a guerra careciam de credibilidade", prosseguiu Assad.

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