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Síria acusa Israel de atacar posição militar em Damasco

De acordo com a agência oficial Sana, posição militar a sudoeste do aeroporto internacional de Damasco foi alvo de uma agressão com vários mísseis; governo israelense não confirma nem nega participação no bombardeio

O Estado de S.Paulo

27 Abril 2017 | 03h25
Atualizado 27 Abril 2017 | 15h41

DAMASCO - A Síria acusou seu vizinho Israel de ter atacado nesta quinta-feira, 27, uma posição militar perto do aeroporto internacional de Damasco, um bombardeio que provocou uma enorme explosão. Israel, que raras vezes confirma seus numerosos ataques lançados em território sírio desde o início da guerra, em 2011, deu a entender que pode ser o autor do bombardeio.

Caso o envolvimento do país seja confirmado, este seria o segundo ataque em quatro dias contra alvos na Síria, onde o Hezbollah - um de seus grandes inimigos - luta ao lado do regime de Bashar Assad contra rebeldes e jihadistas.

"Uma posição militar a sudoeste do aeroporto internacional de Damasco foi alvo ao amanhecer de uma agressão israelense com vários mísseis disparados a partir dos territórios ocupados (Israel, no jargão do regime sírio), provocando explosões", afirmou a agência oficial Sana citando uma fonte militar.

Os disparos provocaram "danos materiais", acrescentou, sem informar se era uma posição do Exército sírio. O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) informou, por sua vez, que um depósito de munições, muito provavelmente pertencente ao Hezbollah libanês, explodiu perto do aeroporto, situado a 25 km de Damasco.

Segundo Al-Manar, a televisão do Hezbollah, a explosão ocorreu de madrugada "em vários depósitos de combustível e um armazém do aeroporto internacional de Damasco e provavelmente foi provocada por um ataque aéreo israelense".

Em Israel, o ministro da Inteligência, Israel Katz, declarou que o suposto ataque era coerente com a política israelense, sem confirmar a responsabilidade de seu país. A Rússia, principal aliada de Damasco, pediu em um comunicado moderação a todos os países, e advertiu sobre um "aumento da tensão" na Síria.

Bola de fogo. Uma testemunha que vive em um bairro do sudeste da capital, Dawwar Baytara, contou ter ouvido uma grande explosão. "Às 4 horas da manhã, ouvi uma enorme explosão, corri para a varanda e, ao olhar para o aeroporto, vi uma enorme bola de fogo", relatou Maytham, de 47 anos. "A eletricidade foi cortada. A bola de fogo era bem visível."

Desde o início da guerra na Síria, Israel executou vários ataques no país contra alvos sírios ou do Hezbollah libanês, aliado de Damasco. No domingo, três milicianos leais ao regime morreram em um bombardeio israelense contra um acampamento na localidade de Quneitra, nas Colinas de Golã. O Exército de Israel também se negou a comentar a informação.

Em 13 de janeiro, Damasco acusou Israel de ter bombardeado o aeroporto militar de Mazze, a oeste da capital, o que provocou incêndios. Neste aeroporto fica o serviço de inteligência da Aeronáutica. Em 2016, vários mísseis israelenses atingiram os arredores desta base militar, segundo a imprensa estatal síria.

No ano passado, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, admitiu que Israel atacou dezenas de comboios de armas destinadas ao Hezbollah. De acordo com o regime sírio, o aeroporto de Damasco foi alvo de um ataque aéreo em dezembro de 2014.

Temor pelo Hezbollah. Israel está preocupado com a presença na Síria do Hezbollah - um de seus principais adversários, que tem o apoio do Irã - que ajuda militarmente o regime de Assad.

Em 17 de março, Israel e Síria tiveram o incidente mais grave em muitos anos. Um ataque israelense perto de Palmyra contra alvos que o governo de Israel afirma que estavam relacionados com o Hezbollah provocou uma resposta antiaérea das forças sírias e um disparo de míssil, interceptado quando se dirigia ao território israelense.

Os dois países estão oficialmente em guerra há décadas. Israel e Líbano, vizinho da Síria, tecnicamente também estão em guerra.

Em 2006, um conflito entre Israel e Hezbollah, o grupo armado mais poderoso do Líbano, deixou 1,2 mil mortos em território libanês, a maioria civis. Do lado israelense foram registradas 160 mortes, a maioria de soldados.

Por sua vez, a guerra na Síria deixou 320 mil mortos desde 2011. Tornou-se cada vez mais complexa, já que envolve o regime, rebeldes, extremistas e diferentes forças regionais, assim como potências internacionais. / AFP, EFE e REUTERS

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