Síria ameaça retaliar ataque aéreo de Israel

A Síria ameaçou, nesta quinta-feira, retaliar um ataque aéreo realizado ontem por Israel, enquanto o Irã, aliado do governo sírio, afirmou que haverá repercussões para Israel por causa do ataque.

AE, Agência Estado

31 de janeiro de 2013 | 15h45

Autoridades norte-americanas disseram que Israel lançou um ataque aéreo em território sírio na quarta-feira. O alvo foi um comboio que estaria carregando armas antiaéreas para o Hezbollah, o poderoso grupo militante libanês aliado da Síria e o Irã.

O ataque elevou as tensões regionais, que já estão altas em razão da guerra civil na Síria, que já dura 22 meses.

Nos dias anteriores ao episódio, líderes israelenses expressavam publicamente sua preocupação com a possibilidade de o presidente sírio Bashar Assad perder o controle do país e de seu arsenal de armas convencionais e não convencionais.

Autoridades de segurança regional disseram na quarta-feira que o alvo do ataque foi um carregamento de armas que incluía sofisticados mísseis antiaéreos SA-17, de fabricação russa, que, se adquiridos pelo Hezbollah, poderiam aumentar sua capacidade militar ao permitir que os militantes derrubassem jatos, helicópteros e aviões teleguiados israelenses. As fontes falaram em condição de anonimato.

O Exército sírio negou que houvesse um comboio com armas no local atacado e disse que aviões israelenses, voando baixo, cruzaram o país também atingiram um centro de pesquisa científica perto de Damasco.

O embaixador sírio no Líbano, Ali Abdul-Karim Ali, ameaçou retribuir o ataque israelense, afirmando que Damasco "tem a opção e a capacidade para uma retaliação surpresa". Ele disse ao site de notícias al-Ahd, do Hezbollah, que depende das autoridades preparar a retaliação e escolher a data e o local.

O Hezbollah criticou o ataque, considerado uma "agressão bárbara" e disse "expressar total solidariedade com o comando, o Exército e o povo sírios". O grupo não mencionou a existência do comboio com armas em seu comunicado, mas afirmou que o ataque teve como objetivo evitar que as forças árabes e muçulmanas desenvolvam suas capacidades militares.

A Rússia, o aliado internacional mais importante da Síria, disse que aparentemente se tratou de um ataque não provocado a um país soberano. Moscou disse que está tomando medidas urgentes para esclarecer a situação em todos os seus detalhes.

"Se a informação for confirmada, teremos um caso de um ataque não provocado contra alvos no território de um Estados soberano, o que viola a Carta da ONU e é inaceitável", afirmou o Ministério de Relações Exteriores da Rússia, em comunicado. "Quaisquer que tenham sido os motivos, eles são injustificáveis." As informações são da Associated Press.

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