Síria: bombardeios matam pelo menos 44 pessoas

Uma série de ataques aéreos realizados pelo governo da Síria matou pelo menos 44 pessoas no norte do país, afirmaram ativistas nesta quinta-feira. Os bombardeios aconteceram na madrugada e manhã de hoje, atingindo cinco cidades nas províncias de Alepo e Idlib. Vídeos com imagens fortes foram feitos por moradores e ativistas na cidade de Maarat al-Numan, que foi bastante bombardeada. Uma imagem mostrava um homem em desespero, segurando as duas pernas de uma criança, não ligadas a um corpo. Outro homem caminhava carregando um braço.

AE, Agência Estado

18 de outubro de 2012 | 14h30

Outros vídeos mostraram a cidade de Alepo, também bombardeada e onde tropas do presidente Bashar Assad e insurgentes combatem desde agosto. Alguns homens levavam corpos embora dos escombros, outros trabalhavam para retirar um homem que teve as pernas esmagadas pela alvenaria detonada em um ataque aéreo. Grupos de ativistas afirmam que a Força Aérea da Síria está aumentando os bombardeios contra bairros e áreas civis em Alepo e Idlib. Nesta semana a Human Rights Watch, organização de defesa dos direitos humanos sediada em Nova York, denunciou que o governo sírio usa bombas de cacho contra civis. Não foi possível verificar a autenticidade dos vídeos divulgados na internet.

O conflito civil na Síria já deixou 33 mil mortos desde março do ano passado, segundo estimativas de ativistas e grupos de defesa dos direitos humanos. O número de refugiados beira os 250 mil, a maioria no Líbano, Turquia e Jordânia.

Também nesta quinta-feira, a Organização Não Governamental (ONG) Avaaz denunciou que pelo menos 28 mil pessoas estão desaparecidas na Síria desde março de 2011. A maioria dos desaparecidos foram retidos por tropas do governo ou pela milícia Shabiha (fantasmas, em árabe), partidária de Bashar Assad. A ONG Avaaz afirmou que os desaparecimentos fazem parte de uma campanha "deliberada" das autoridades em tentarem silenciar os dissidentes. "Os sírios estão rendo tirados das ruas pelas forças de segurança e por paramilitares e desaparecendo nas celas de tortura", disse Alice Jay, diretora do Avaaz. "Essa é uma estratégia deliberada para aterrorizar famílias e comunidades inteiras". A organização afirma que entrevistou familiares de desaparecidos e que testemunhará no Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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