Síria cogitou interferir na guerra do Líbano, diz Hezbollah

A Síria alertou Israel de que enviaria tropas ao Líbano durante a guerra de 2006 caso os israelenses avançassem até uma região adjacente a Damasco, disse o xeque Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah, um dos protagonistas daquele conflito. Em entrevista à TV Al Jazeera, Nasrallah disse que a Síria, que junto com o Irã patrocina o seu grupo, ameaçou enviar tropas "até mesmo para dentro do território libanês para lidar com as forças israelenses". "A Síria informou ao governo do inimigo por meio de mediadores que caso houvesse qualquer avanço de tropas terrestres sobre Arqoub a Síria não ficaria olhando e iria intervir", disse Nasrallah em entrevista transmitida na segunda-feira. A guerra começou depois que o Hezbollah fez uma incursão e capturou dois soldados israelenses, em 12 de julho de 2006. Cerca de 1.200 libaneses e 157 israelenses foram mortos em 34 dias de conflito. Nasrallah não esclareceu a fonte da informação, mas afirmou que Damasco não discutiu tais planos com o grupo durante a guerra, e aparentemente Israel deu ouvidos ao alerta. "Os israelenses levaram a mensagem a sério. Nenhum avanço por terra ocorreu ali, nem um só soldado israelense avançou ali", disse Nasrallah. Ele acrescentou que o Hezbollah não pediu à Síria ou a qualquer outro país que entrasse na guerra ao seu lado. "Esta não foi uma intenção ou um desejo da nossa parte, e não vimos nenhum interesse nisso." Negociações de paz entre Israel e Síria fracassaram em 2000 por causa da exigência de Damasco de que Israel devolva as colinas do Golã, uma região montanhosa conquistada em 1967. O presidente sírio, Bashar Al Assad, manifesta repetidamente um interesse em retomar as negociações, mas Israel diz que o contínuo apoio sírio ao Hezbollah é um obstáculo grande demais para ser superado. Israel e os EUA acusam a Síria e o Irã de armarem, treinarem e financiarem o Hezbollah. Síria e Irã dizem que seu apoio à facção xiita é puramente política. Fontes libanesas políticas e de segurança disseram em maio que o Hezbollah havia reposto seu arsenal de foguetes e recebido mísseis antiaéreos e anti-tanques melhorados do Irã via Síria, depois que uma trégua mediada pela Organização das Nações Unidas (ONU) levou à suspensão dos combates, em agosto. O governo libanês diz não ter provas da transferência de armas da Síria desde agosto. (Por Inal Ersan)

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