Síria conclui preparação de gás sarin, diz TV

Segundo NBC, fontes de inteligência dos EUA temem que Assad ordene ataque com armas químicas contra rebeldes

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2012 | 23h49

O Exército sírio estaria preparando uma ofensiva com armas químicas contra os rebeldes que lutam para derrubar o ditador Bashar Assad, revelou ontem a rede de TV americana NBC. Segundo a emissora, que citou funcionários do governo americano que não se identificaram, latas com gás sarin estão prontas para ser lançadas em bombas despejadas por caças.

No front diplomático, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, reuniu-se ontem com o chanceler russo, Sergei Lavrov, em um raro encontro entre as duas potências consideradas chave para o conflito sírio.

Segundo a rede de TV CNN, órgãos de inteligência de Turquia, Israel, Líbano e Jordânia estão em contato com autoridades americanas para coordenar uma resposta. Assad, no entanto, ainda não teria dado ordem para usar as armas. Segundo um funcionário do governo dos EUA, há muitos indícios de que o regime esteja reunindo os produtos necessários para usar o sarin com fins militares.

Na segunda-feira, o presidente americano, Barack Obama, advertiu Assad de que o uso de armas químicas na guerra civil síria era "inaceitável". "Quero deixar bem claro para Assad e para seus seguidores que o mundo os observa", afirmou o presidente.

Ontem, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, escreveu uma carta ao ditador sírio na qual pediu que ele evite o uso dessas armas de destruição em massa e ressaltou a importância de o governo sírio manter seus estoques de armas químicas em segurança.

Diplomacia. Ao lado do enviado da ONU para a Síria, Lakhdar Brahimi, Hillary e Lavrov concordaram que o uso de armas químicas por parte do regime é inaceitável para Moscou e Washington. Os dois diplomatas discutiram como seus países podem contribuir para pôr um fim ao conflito, que já dura 21 meses.

"Conversamos um pouco sobre como trazer a Síria de volta da beira do abismo", disse Brahimi. Segundo o diplomata argelino, os dois países concordaram com um plano de transição proposto em junho. "Não foi tomada nenhuma decisão sensacional, mas concordamos que a situação é grave e precisamos trabalhar juntos."

Em Dublin, na Irlanda, Hillary disse que os EUA trabalham ao lado da Rússia pelo fim da violência e o início de uma transição na Síria. "A situação na Síria está mudando rapidamente e vemos isso de diversas maneiras", declarou Hillary. "A pressão sobre o regime e sobre Damasco está aumentando." / AFP e AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.