Síria critica EUA por ataques ao Estado Islâmico

O porta-voz do Parlamento da Síria, Jihad Laham, criticou os EUA por, em vez de trabalhar em conjunto com o governo de Damasco para combater o grupo extremista Estado Islâmico, se aliarem a nações que, segundo ele, apoiam o terrorismo. Laham aparentemente estava se referindo à Arábia Saudita e outros países que apoiam os rebeldes para derrubar o presidente Bashar Assad.

AE, Estadão Conteúdo

21 de setembro de 2014 | 17h01

O presidente dos EUA, Barack Obama, está trabalhando para formar uma coalizão global de combate ao grupo Estado Islâmico, que controla grandes partes da Síria e do Iraque. Enquanto isso, os EUA têm conduzido ataques aéreos contra os militantes do Estado Islâmico no Iraque desde agosto, e na semana passada Obama autorizou ataques semelhantes na Síria.

Os norte-americanos descartaram uma coordenação direta com o governo de Assad, o que enfureceu oficiais sírios. Eles argumentam que qualquer ataque aéreo sem consentimento representa uma quebra da soberania do país. O governo sírio também parece preocupado com a possibilidade de uma coalizão de combate ao Estado Islâmico eventualmente alterar o alvo e auxiliar os rebeldes para tirar Assad do poder.

Em sessão parlamentar, Laham afirmou que aqueles "que realmente querem combater o terrorismo devem cooperar com a Síria de acordo com planos de longo prazo, e não apoiar organizações terroristas sob falsos títulos". Assad tem repetidamente classificado o conflito como uma batalha contra o terrorismo.

A rebelião contra Assad teve início em março de 2011, após as forças de segurança repelirem violentamente grupos de manifestantes. Os grupos rebeldes abrigam desde extremistas ligados a Al-Qaeda a muçulmanos ultraconservadores, passando por grupos relativamente moderados.

O Ministério de Relações Exteriores da Síria emitiu um comunicado para alertar que combatentes da oposição podem usar armas químicas e culpar o governo. Desse modo eles criariam um pretexto para o envolvimento de ajuda internacional, disse. O comunicado reiterou que Damasco não possui nenhuma arma química.

A Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPWC, na sigla em inglês) disse neste mês que um químico foi usado "sistematicamente e repetidamente" como arma em ataques a vilas mais cedo neste ano, mas a OPWC não culpou nenhum dos dois lados. Rebeldes e governo acusam um ao outro como responsáveis pelas mortes com armas químicas. Fonte: Associated Press.

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