Síria denuncia ''interferência dos EUA'' em crise política

NOVA YORK

, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2011 | 00h00

O regime sírio condenou ontem as declarações da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, segundo as quais o presidente Bashar Assad perdeu a legitimidade. Na véspera, ela dissera que os protestos que abalam a Síria desde março fizeram com que Assad "não seja mais indispensável".

Uma fonte anônima citada pela agência de notícias estatal Sana acusou os EUA de conduzirem uma flagrante interferência nos assuntos internos sírios. "A legitimidade da liderança política da Síria não depende dos EUA e de nenhum outro país. Esta legitimidade é exclusivamente derivada da vontade do povo sírio", diz o texto.

Para o professor da Universidade de Oklahoma Joshua Landis, um dos principais especialistas em Síria nos EUA, o regime sírio tem se aproveitado da visita do embaixador Robert Ford a Hama, na semana passada, para acusar os americanos de estar por trás dos protestos de oposição. A cidade de Hama, ao norte de Damasco, é palco das principais manifestações contra Assad.

O discurso do regime sírio nos últimos dias é o de que os EUA e a França violaram o artigo 41 da Convenção de Viena, sobre a intervenção em assuntos domésticos de outros países. Washington e Paris argumentam que os diplomatas têm o direito de circular livremente pelo território e os embaixadores viajaram a Hama como observadores.

Desde que Barack Obama assumiu o poder, os dois países - que nunca tiveram boas relações desde o governo Hafez Assad - vinham ensaiando uma aproximação. No ano passado, o embaixador Robert Ford foi enviado a Damasco, o que colocou fim ao rompimento de mais de meia década de relações diplomáticas. Com os protestos, o cenário sofreu nova deterioração.

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