Síria descumpre prazo de entrega de armas químicas

Segundo acordo, regime de Bashar Assad deveria entregar até hoje todo seu arsenal químico

O Estado de S. Paulo,

05 de fevereiro de 2014 | 11h09

AMSTERDÃ - A Síria descumpriu nesta quarta-feira, 5, o prazo para a entrega de todas as substâncias químicas declaradas aos inspetores da ONU, o que deixa o programa de desarmamento com várias semanas de atraso e coloca em xeque o prazo para a sua conclusão, em 30 de junho.

Conforme um acordo acertado em outubro entre a Rússia e os EUA - o que ajudou a evitar uma ação militar de Washington contra o regime de Bashar Assad -, Damasco tinha se comprometido a entregar todo o seu arsenal químico até 5 de fevereiro.

Na terça-feira 4, a Rússia disse que o governo sírio, seu aliado, entregará em breve mais substâncias químicas, mas diplomatas ocidentais afirmam não ver indicações de que novos embarques sejam iminentes.

Damasco promete entregar um cronograma à Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq), mas não informou quando isso acontecerá. O último envio de substâncias químicas para fora da Síria ocorreu em 27 de janeiro, segundo Michael Luhan, porta-voz da Opaq. "É um status quo até que tenhamos esse plano."

A Síria já havia descumprido o prazo de 31 de dezembro, quando deveria terminar de entregar os agentes químicos mais venenosos, incluindo os precursores do sarin e gás mostarda.

Até agora, o país movimentou pouco mais de 4% das 1.300 toneladas informadas à Opaq. Os dois pequenos carregamentos de substâncias químicas retiradas estão sendo guardados em um barco dinamarquês no Mediterrâneo.

Pelo acordo entre Rússia e EUA, a Síria tem até 30 de junho - mais cinco meses - para eliminar completamente seu programa de armas químicas. O ministro de Relações Exteriores sírio, Faisal al-Mikdad, disse que seu país continua cooperando e pretende cumprir o prazo de 30 de junho.

Damasco atribui os atrasos a problemas de segurança, incluindo a ameaça de ataques rebeldes em estradas que dão acesso à cidade portuária de Latakia. O governo de Assad solicitou blindagens e equipamentos de comunicação adicionais.

Mas os EUA e a ONU, que supervisionam conjuntamente o programa de destruição com a Opaq, disseram na semana passada que todos os equipamentos necessários para a operação estão disponíveis e que o governo deve cumprir sua parte o mais rapidamente possível.

O próximo prazo importante é em 31 de março, quando as substâncias mais tóxicas devem ser destruídas fora da Síria, num navio cargueiro especial dos EUA, o MV Cape Rayl. Na quinta-feira 6, Sigrid Kaag, chefe da missão conjunta, falará sobre a operação à ONU, em Nova York./ REUTERS e AP

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