Síria desmente acordo, mas israelense confirma contato

O governo sírio desmentiu oficialmente que chegou a um acordo secreto com Israel para negociar um tratado de paz bilateral, como informa nesta terça-feira o jornal israelense Ha´aretz. No entanto, Alon Liel, o ex-diplomata israelense que supostamente atuou como mediador em conversas secretas entre Israel e Síria, confirmou que manteve contatos com Damasco."É completamente mentira", afirmou um breve comunicado do Ministério de Assuntos Exteriores sírio divulgado na terça-feira."Não houve nenhum contato entre Israel e Síria", assegurou a nota, sem dar mais detalhes, alinhada à tradicional postura síria de negar todo contato com o Estado vizinho.A Síria se disse em várias ocasiões disposta a negociar com Israel se as negociações forem retomadas do ponto em que foram interrompidas em 2000, momento em que foram dados passos substanciais sob o governo israelense de Ehud Barak.Israel sempre respondeu que as negociações devem ser retomadas sem condições prévias.Contato do ex-diplomata israelense Alon Liel, que foi diretor-geral no Ministério de Relações Exteriores de Israel e participou, entre outras coisas, das negociações de Oslo com os palestinos, admitiu ter participado de conversas com a Síria, mas afirmou que foi "a título pessoal, sem representar ninguém".O jornal israelense Ha´aretz revelou na terça-feira que representantes de Israel e Síria mantiveram reuniões secretas entre setembro de 2004 e julho de 2006 e que chegaram a um "entendimento" sobre os termos de um acordo cujo cumprimento permitiria selar a paz entre os doisPaíses.Embora esteja afastado da carreira diplomática, Liel atualmente integra o Conselho de Governadores da Iniciativa de Genebra.O "entendimento" - que, de acordo com o Ha´aretz, foi pactuado com mediação européia - prevê, entre outras coisas, que Israel devolva as Colinas de Golã à Síria, assim como o estabelecimento de um parque para uso conjunto na margem do lago Tiberíades.Israel reteria o controle sobre o uso das águas do lagoTiberíades e do rio Jordão. Também seria estabelecida uma zona desmilitarizada ao longo da fronteira. Já a Síria se comprometeria a deixar de apoiar o grupo xiita libanês Hezbollah e os islamitas palestinos do Hamas, além de se distanciar do Irã.

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