Mohammad Hannon/AP
Mohammad Hannon/AP

Síria deve provocar recorde de refugiados no mundo, diz ONU

De acordo com António Guterres, cerca de 2 mil sírios fugiram do país por dia

Reuters

01 de outubro de 2012 | 14h54

GENEBRA - Com dezenas de milhares de pessoas fugindo da Síria a cada mês, o número de refugiados no mundo em 2012 deverá ser o maior deste século, afirmou um alto funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta segunda-feira, 1. António Guterres, chefe do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), disse ao comitê executivo da entidade que a capacidade da agência estava sendo esticada até ao limite.

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"Já em 2011, conforme se desenrolava crise após crise, mais de 800 mil pessoas atravessaram as fronteiras em busca de refúgio - uma média de mais de 2 mil refugiados por dia", disse o ex-primeiro-ministro português. Esse total foi o mais alto desde a virada do século "e até agora mais de 700 mil pessoas fugiram da República Democrática do Congo, Mali, Sudão e Síria", contou Guterres.

Na sexta-feira, outro funcionário do Acnur afirmou que o total de refugiados da Síria pode chegar a 700 mil este ano, quase quatro vezes a estimativa anterior, à medida que as tropas do governo lutam contra os rebeldes em todo o país. Cerca de 294 mil pessoas que fugiram nos 18 meses de confrontos na Síria já cruzaram a fronteira para Jordânia, Iraque, Líbano e Turquia, ou aguardam registro, disse Panos Moumtzis em uma coletiva de imprensa.

Os novos refugiados estão se juntando aos cerca de 42 milhões em todo o mundo que fugiram pelas fronteiras para escapar da violência em seus países. Em meio à crise econômica global e com os orçamentos dos governos no limite, Guterres disse ao comitê executivo do Acnur que o custo de ajudar refugiados estava aumentando rapidamente, enquanto continuam as crises duradouras no Afeganistão e na Somália.

"Estamos em um momento em que as exigências sobre nós estão aumentando, enquanto os meios disponíveis para responder permanecem a um nível similar ao do ano passado", disse. "Nossas operações na África, em particular, são drasticamente subfinanciadas...No atual ambiente operacional imprevisível, este é um motivo de grande preocupação".

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