Síria diz a Pelosi que deseja negociar paz com Israel

A presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, afirmou durante visita a Damasco nesta quarta-feira, 4, que o presidente sírio, Bashar Al Assad, disse estar disposto a negociar a paz com Israel. "Ficamos contentes com as garantias que recebemos do presidente (Assad) de que ele está pronto para retomar o processo de paz. Ele estava pronto para se engajar em negociações de paz com Israel", disse Pelosi. "A reunião com o presidente nos permitiu comunicar uma mensagem do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, de que Israel está pronto a se engajar em conversações de paz também", afirmou ela a jornalistas em Damasco.O governo israelense reagiu imediatamente salientando suas precondições para tal processo. Pelosi é a principal autoridade norte-americana a visitar a Síria em mais de dois anos. "O primeiro-ministro disse que Israel está interessado na paz com a Síria, mas que a Síria antes teria de abandonar o caminho do terror e (deixar de) dar apoio a grupos terroristas", afirmou uma fonte do governo israelense.Assad disse que a Síria está disposta a retomar as negociações com Israel tendo por base um plano árabe que prevê a normalização de relações em troca da devolução de territórios. "A Síria adotou a iniciativa árabe, sua escolha estratégica é a paz", disse Assad a Pelosi, segundo a agência oficial síria de notícias. As negociações entre Israel e Síria estão paradas desde 2000. Pelosi qualificou a reunião com Assad de "muito produtiva" e afirmou ser importante que a Síria use sua influência com o grupo palestino Hamas para promover a retomada do processo de paz. Impasse com americanosO presidente americano, George W. Bush, disse que a visita de sua adversária Pelosi passará "sinais confusos" a Damasco, e um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca qualificou a viagem de "contraproducente". A respeito das conversas diplomáticas com os EUA, Assad disse a Pelosi que "o diálogo direto pode levar a explicações mútuas sobre muitas realidades, e ao tratamento de muitos assuntos de interesse de ambos os países e de toda a região".Washington acusa Damasco de patrocinar o terrorismo e estima que até 90% dos homens-bomba no Iraque se infiltram pela Síria. Damasco diz tentar conter esse fluxo. O governo sírio diz que gostaria de ajudar os EUA a fazer uma "retirada honrosa" do Iraque, mas que em troca Washington deve pressionar Israel a devolver as colinas do Golã. Os EUA retiraram seu embaixador da Síria logo depois do assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Al Hariri, em fevereiro de 2005. Damasco nega envolvimento no crime. Após o encontro, Pelosi, que permaneceu menos de 24 horas na capital síria, viajou para Riad, na Arábia Saudita, em uma nova escala de sua viagem pelo Oriente Médio. A democrata americana já esteve no Líbano, em Israel e nos territórios palestinos.

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