Alexander Zemlianichenko/AP
Alexander Zemlianichenko/AP

Síria diz que aceita destruir armas químicas para evitar ataque dos EUA

Autoridades americanas disseram que vão 'analisar cuidadosamente' proposta e a encaram com 'ceticismo'

O Estado de S. Paulo,

09 de setembro de 2013 | 13h45

(Atualizada às 15h35) MOSCOU - A Síria aceitou, nesta segunda-feira, 9, o pedido da Rússia de colocar todas as armas químicas presentes no país sob controle internacional e depois destruí-las para evitar um ataque dos Estados Unidos. O anúncio, feito pelo ministro de Relações Exteriores sírio, Walid al-Moallem, pode ser visto como a primeira declaração oficial de Damasco afirmando possuir o armamento químico.

"A Síria aceita a proposta russa por se preocupar com a vida do povo sírio, com a segurança do nosso país e porque acredita na sabedoria da liderança russa, que pretende evitar uma agressão americana contra o nosso povo", afirmou Moallem. A proposta do principal aliado do regime de Bashar Assad foi divulgada horas depois de o secretário de Estado americano, John Kerry, ter dito que a destruição das armas químicas impediria um ataque.

"Assad poderia entregar cada uma de suas armas químicas à comunidade internacional na próxima semana", disse Kerry, ao ser questionado por um repórter se havia alguma coisa que o governo sírio poderia fazer para evitar um ataque. "Entregar tudo, sem demora, e permitir a contabilidade completa e total (das armas), mas não parece que ele fará isso."

O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, se reuniu com Moallem na manhã desta segunda-feira, em Moscou, para apresentar a proposta.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, apoiou a proposta e disse que também pode pedir ao Conselho de Segurança que exija que a Síria junte-se à convenção internacional contra as armas químicas, um tratado que o governo de Damasco nunca assinou.

Após a declaração do ministro sírio, autoridades americanas disseram que vão "analisar cuidadosamente" a proposta de o país entregar suas armas químicas para o controle internacional.

Segundo a porta-voz do Departamento de Estado, Marie Harf, os EUA encaram a proposta com "ceticismo" porque pode ser uma tática já que a Síria se recusou terminantemente a destruir suas armas químicas no passado.

O vice-conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Tony Blinken, afirmou que apesar da proposta, o Congresso deveria aprovar uma ação militar na Síria. "É importante lembrar que a proposta aparece no contexto da ameaça de uma ação e pressão dos EUA...É ainda mais importante que não deixemos de pressionar e que o Congresso dê o aval que o presidente (Obama) está pedindo."/ AP e REUTERS

Assista a uma parte do pronunciamento de Blinken:

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