Síria diz que aceita visita de comissão estrangeira

Para enviar observadores, Liga Árabe teria de revogar sanções; bloco rejeita condição

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2011 | 03h06

A Síria anunciou ontem que permitirá a entrada de observadores da Liga Árabe, sob a condição de que as sanções econômicas impostas a Damasco no mês passado pelo bloco sejam imediatamente revogadas. O secretário-geral da Liga, Nabil Elaraby, rejeitou a exigência do regime de Bashar Assad, enquanto opositores sírios denunciavam mais uma tentativa do ditador de ganhar tempo.

Ontem, mais 13 opositores teriam morrido em meio à repressão da ditadura síria. Grupos locais de defesa dos direitos humanos afirmam ainda que os corpos de mais de 30 pessoas que haviam sido sequestradas em Homs, centro da Síria, foram encontrados em um hospital da cidade.

A Liga Árabe havia proposto a Damasco um acordo segundo o qual o regime retiraria suas tropas das ruas, libertaria presos políticos e permitiria a entrada de observadores estrangeiros - diplomatas, funcionários de ONGs e jornalistas. A oferta expirou no dia 25, levando o bloco a impor duras restrições econômicas contra a Síria e, em seguida, sanções específicas contra 19 autoridades - incluindo o irmão do presidente, Maher.

Antes, no início de agosto, emissários do Brasil, Índia e África do Sul (integrantes do bloco Ibas) que visitaram Damasco escutaram do governo Assad promessas de abertura política, liberdade a opositores e fim da violência. Mas, desde então, a repressão apenas se intensificou.

Ontem, o chanceler de Assad, Walid al-Moallem, enviou uma carta ao secretário-geral da Liga Árabe na qual "respondia positivamente" ao pedido de envio de observadores. O porta-voz do regime, Jihad Makdissi, disse que a Síria tinha apenas "pequenos complementos que não modificarão a essência do acordo", sem mencionar o fim da repressão, a libertação de opositores e a adoção de reformas.

Elaraby reconheceu que a carta de Assad "tem novos elementos", mas rejeitou a exigência de, antes do acordo, suspender as sanções. A revogação, completou, só poderia ser adotada com o aval dos 22 membros do bloco árabe.

Entre os alvos das sanções da Liga Árabe está o Banco Central da Síria, medida que praticamente bloqueia transferências financeiras de Damasco com países do grupo. A União Europeia e EUA também adotaram medidas para punir Assad e, juntas, as restrições internacionais devem ter um forte impacto na economia da Síria. Assad estaria ainda pedindo que o novo acordo fosse assinado em Damasco e não no Cairo, onde fica a sede da Liga Árabe.

Recado. Além de impor o terror internamente, com sequestros, assassinatos e prisões, o regime de Damasco deu, no fim de semana, sinais de que resistirá a qualquer tipo de intervenção militar - seja de potências da Otan ou de Israel.

A Síria conduziu exercícios militares, incluindo testes com mísseis e operações terrestres e aéreas. O objetivo, segundo Damasco, foi testar "capacidade e prontidão dos sistemas de mísseis para responder a qualquer tipo de agressão". O ministro da Defesa, Dawoud Rajha, disse que suas forças estão "prontas para cumprir qualquer ordem". / NYT

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