Síria diz que declarações de chanceler americana são 'interferência'

Via agência estatal, Damasco diz que Hillary Clinton fez 'provocação' ao dizer que presidente sírio 'perdeu legitimidade'.

BBC Brasil, BBC

12 de julho de 2011 | 23h27

A Síria chamou de "provocação" e de "interferência" as declarações da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, que havia dito que o presidente sírio, Bashar al-Assad, perdera sua legitimidade e não era "indispensável".

Foram as declarações mais fortes feitas pelos EUA sobre a crise síria - e foram repetidas hoje pelo presidente Barack Obama em entrevista à TV americana.

Nesta terça, a agência estatal síria Sana disse que a fala de Hillary "se soma a outras interferências flagrantes nos assuntos internos da Síria".

As declarações da secretária de Estado ocorreram depois de ataques que danificaram os prédios das embaixadas americana e francesa em Damasco.

Os ataques, por sua vez, foram perpetrados por simpatizantes de Assad em retaliação à ida dos embaixadores dos EUA e da França à convulsionada cidade de Hama, onde os diplomatas prestaram solidariedade aos manifestantes antirregime locais.

A Síria está há mais de três meses vivenciando uma onda de protestos que desafia o governo de Assad.

Em comunicado, nesta terça-feira, o Conselho de Segurança da ONU condenou os ataques às embaixadas em Damasco, citando "o princípio da inviolabilidade de missões diplomáticas e das obrigações dos governos hospedeiros na proteção" dos locais.

"Nesse contexto, os membros do Conselho de Segurança instam as autoridades sírias a proteger propriedades e pessoais diplomáticos", diz a nota do organismo.

A Síria, que já havia classificado a ida dos embaixadores americano e francês à Hama de afronta, disse nesta terça que "a liderança política (síria) não obtém sua legitimidade dos EUA, e sim apenas do povo sírio", em resposta à fala de Hillary Clinton.

Segundo a Sana, Damasco espera que os EUA e seus enviados "evitem ações que provoquem os sentimentos dos sírios e seu apreço à independência nacional".

Diálogo

As rusgas diplomáticas coincidem com o fim de um processo de negociação patrocinado pelo governo sírio, mas boicotado por muitos dos líderes da oposição.

No comunicado final do evento de dois dias, participantes disseram que o diálogo é a única forma de solucionar a crise síria, exigiram a libertação imediata de presos políticos e pediram por "pluralismo e democracia" no país.

O comunicado também rejeitou interferências externas na crise.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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