Síria diz que Israel pagará "alto preço" por bombardeio

O ministro do Exterior da Síria advertiu nesta segunda-feira que os ataques aéreos israelenses contra uma estação de radar síria no Líbano criaram um novo perigo para a região, levantando temores de uma nova escalada de violência no Oriente Médio.Em Jerusalém, Israel anunciou nesta segunda-feira um endurecimento de posição, afirmando que responsabilizará a Síria por ações guerrilheiras em sua fronteira com o Líbano. Farouk al-Sharaa disse a repórteres durante uma visita a Moscou que Israel irá "pagar um alto preço (por seus ataques), num momento conveniente e apropriado".Ele não entrou em detalhes. Três soldados sírios foram mortos e seis ficaram feridos no ataque, segundo oficiais libaneses. A Síria afirmou que um soldado foi morto. Israel culpou as guerrilhas do Hezbollah, apoiadas pela Síria, pelo aumento da tensão, afirmando que seu ataque aéreo na madrugada de segunda-feira contra uma estratégica estação de radar síria no interior do Líbano foi uma retaliação a um atentando guerrilheiro. Em Washington, a administração do presidente George W. Bush também responsabilizou o Hezbollah pela nova explosão de violência no Oriente Médio, mas não chegou a endossar a ação retaliatória israelense contra a posição do exército sírio no Líbano. A segurança foi intensificada após o ataque israelense. Oficiais de segurança impediram o acesso à estação de radar alvejada nas proximidades de Dahr al-Baidar, 35 km a leste de Beirute, nas áridas montanhas logo ao norte da rodovia que liga Beirute a Damasco, a capital síria.Repórteres também foram impedidos de se aproximar de um hospital militar próximo, para onde foram levados os soldados feridos. No local do ataque podia ser visto um caminhão capotado e um buldôzer limpando os destroços da estação de radar. A região é pontilhada de posições do Exército da Síria, que incluem estações de radar, tanques e blindados de deslocamento de tropas. Analistas disseram que é improvável que a Síria entre em confronto direto com Israel, mas Damasco poderia dar liberdade às ações da guerrilha.O Exército da Síria é carente de verbas e está muito atrás tecnologicamente do de Israel. Durante sua invasão do Líbano em 1982, Israel destruiu cerca de 300 tanques e 85 aviões MIG da Síria. O Hezbollah anunciou que continuará atacando as tropas israelense numa região disputada ao longo da fronteira. Num comunicado, a guerrilha prometeu "cortar a mão do inimigo que alcançar nosso território e nossos irmãos".O Hezbollah afirmou que Israel "carrega plena responsabilidade por esta estúpida agressão". Israel tem repetidamente advertido a Síria para deixar de dar apoio à guerrilha. Nesta segunda-feira, no Líbano, o presidente Emile Lahoud disse num comunicado que "este rumo pode levar a uma confrontação geral". Ele discutiu o ataque por telefone com o presidente sírio, Bashar Assad.O líder palestino Yasser Arafat e líderes do Egito, Jordânia, Catar, Arábia Saudita e da Liga Árabe expressaram temores semelhantes.

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