Síria diz que Israel planeja ação militar

A Síria alertou hoje que Israel está abrindo o caminho para uma nova ação militar, após o governo israelense ter acusado Damasco de fornecer mísseis Scud ao grupo xiita libanês Hezbollah. Nesta semana, o presidente da Israel, Shimon Peres, acusou diretamente o governo sírio de ter fornecido as armas ao grupo. Mais cedo, funcionários israelenses repetiram a afirmação de Peres e falaram que com os mísseis Scud o Hezbollah pode atingir qualquer alvo em Israel.

AE-AP, Agência Estado

15 de abril de 2010 | 17h12

Israel não ofereceu nenhuma prova para comprovar as acusações. O Ministério das Relações Exteriores da Síria negou com veemência as acusações. Segundo a chancelaria síria, "Israel direciona essa queixas para estremecer ainda mais a atmosfera na região". A chancelaria acrescentou que Israel prepara o palco para "uma possível agressão, com o objetivo de fugir da obrigação de uma paz justa e ampla".

Ao falar mais cedo nesta quinta-feira, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, insistiu que seu país não tem intenções agressivas.

Peres, durante uma visita a Paris, acusou a Síria de "fazer um jogo duplo" falando de paz e ao mesmo tempo "entregando Scuds ao Hezbollah para ameaçar Israel".

Estados Unidos

O governo dos Estados Unidos se disse "cada vez mais preocupado" sobre a transferência de um arsenal mais sofisticado ao Hezbollah. Nos últimos meses, as relações entre Washington e Damasco melhoraram: os EUA nomearam seu primeiro embaixador para a Síria desde 2005 e enviaram diplomatas para reuniões com presidente sírio Bashar Al-Assad. Os EUA esperam afastar a Síria de influências como o Irã e os grupos islâmicos que Teerã apoia - o Hezbollah no Líbano e o Hamas na Faixa de Gaza.

O líder do Hezbollah, xeque Hassan Nasrallah, disse que seus militantes têm um arsenal com mais de 30.000 foguetes e são capazes de atingir qualquer alvo em Israel.

O Hezbollah afirmou ter reconstruído o seu arsenal, após a guerra de 2006 com Israel, travada em grande parte no sul do Líbano e na faixa da fronteira libanesa com Israel. Durante o conflito de 2006, o Hezbollah disparou mais de 4.000 mísseis contra o norte de Israel. A guerra, provocada por uma emboscada contra um patrulha israelense na fronteira, deixou 1.200 libaneses e 160 israelenses mortos.

Alguns mísseis Scud têm raio de alcance de centenas de quilômetros, o que significa que o Hezbollah poderia dispará-los não só do sul do Líbano, região onde é mais forte. O Scud pode carregar uma carga explosiva de até 1 tonelada, com capacidade superior a de mísseis que o Hezbollah tinha ou teria no seu arsenal.

Tudo o que sabemos sobre:
IsraelSíriaHezbollahmísseis

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.