Síria e Arábia Saudita buscam evitar conflito no Líbano

Os líderes da Síria e da Arábia Saudita, que no passado foram rivais no Oriente Médio, mostraram hoje uma cooperação sem precedentes para evitar qualquer irrupção de violência no Líbano, se integrantes do grupo xiita libanês Hezbollah forem indiciados no assassinato do ex-premiê Rafik Hariri, morto num atentado, em 2005.

AE-AP, Agência Estado

30 de julho de 2010 | 17h42

A visita do presidente sírio Bashar al-Assad e do rei da Arábia Saudita Abdullah a Beirute mostra a preocupação dos países árabes com o potencial de caos existente no Líbano. Muitos temem que o indiciamento possa levar a combates entre os muçulmanos sunitas e os muçulmanos xiitas do Líbano, ou que Israel possa ser atraído para um conflito com seu inimigo, o Hezbollah, o que provocaria uma convulsão regional ainda maior.

Washington tenta há muito tempo acabar com a influência síria no Líbano. Mas a situação que emerge é que a Síria e a Arábia Saudita, aliada dos EUA, parecem ter chegado a um entendimento frágil sobre o balanço de forças no país, sugerindo que ambos desejam que o Líbano permaneça calmo após anos de disputas políticas.

O rei da Arábia e Assad andaram lado a lado no Aeroporto de Beirute. Na cidade começaram reuniões com o primeiro-ministro libanês Saad Hariri, com o presidente libanês Michel Suleiman e outros funcionários.

O líder do Hezbollah, o xeque Hassan Nasrallah, que raramente aparece em público, não participou das reuniões, mas ministros de gabinete que são do Hezbollah estavam presentes no evento. Foi a primeira visita do presidente sírio a Beirute em oito anos.

O potencial de crise no Líbano desta vez tem origem na investigação internacional sobre o assassinato do ex-premiê. Os indiciamentos deverão ser feitos neste ano, e enquanto o tribunal das Nações Unidas, com sede na Holanda, não diz quais pessoas serão apontadas, o líder do Hezbollah já afirmou na semana passada saber que integrantes do seu grupo estarão entre elas.

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