Síria e Líbano elogiam relatório sobre morte de Hariri

O Líbano e a Síria elogiaram nesta segunda-feira um relatório do chefe da investigação da ONU sobre o assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri. As autoridades classificaram o documento como "profissional e independente". Em seu segundo relatório, liberado no sábado, o promotor belga Serge Brammertz citou um "considerável progresso" no caso do assassinato de Hariri e disse que a maior parte do trabalho será concluída em alguns meses. O documento de 30 páginas afirma que a Síria, que foi acusada de obstruir as investigações sobre a morte de Hariri, tem cooperado de maneira "satisfatória". Ao contrário de dois relatórios anteriores feitos por seu antecessor, o promotor alemão Detlev Mehlis, Brammertz não fez acusações ou apontou suspeitos. O relatório de Mehlis implicava funcionários de segurança sírios de alto escalão no assassinato do premier. O atual primeiro-ministro libanês, Fuad Saniora, elogiou o "profissionalismo" de Brammertz, afirmando que seu relatório foi realizado de uma maneira "científica e calculada". "Eu reafirmo que temos total confiança no chefe da comissão, Sr. Brammertz, por sua eficiência, independência e objetividade. Portanto temos confiança nos resultados que obteremos", disse o premier ao jornal An-Nahar.O ministro da Informação sírio, Mohsen Bilal, disse que Damasco está satisfeita com o trabalho de Brammertz, a quem descreveu como um "profissional"."A Síria, desde o inicio das investigações, pede um relatório objetivo, neutro e profissional, especialmente depois que os dois primeiros documentos danificaram as relações entre Síria e Líbano", disse Bilal ao jornal Al Baath.CooperaçãoEle acrescentou que Damasco cooperou inteiramente com a comissão da ONU para "uma investigação profissional que não sirva a objetivos políticos". O líder do grupo militante Hezbollah, apoiado pelo Irã e pela Síria, também apoiou o trabalho de Brammertz. "O relatório é positivo e racional", disse o Sheik Hassan Nasrallah nesta segunda-feira, depois de uma reunião com o ex-primeiro ministro sírio Salim Hoss.Alguns funcionários de alto escalão do governo sírio foram implicados no atentado do dia 14 de fevereiro de 2005 que matou Hariri e mais 20 pessoas. O premier se opunha a dominação síria no Líbano. Relatórios anteriores apontavam o envolvimento do brigadeiro Assaf Shawkat, chefe de inteligência síria e cunhado do presidente Bashar Assad. No entanto, o governo da Síria nega participação na morte do premier. Quatro generais libaneses, figuras chave na dominação síria no Líbano, foram presos e acusados de participação no assassinato de Hariri. Funcionários do governo sírio também foram apontados no caso mas não acusados formalmente.A morte de Hariri provocou uma reação internacional que levou a retirada de centenas de soldados sírios do Líbano em abril de 2005, encerrando quase três décadas de dominação militar no país. Brammertz deve apresentar o documento na quarta-feira diante do Conselho de Segurança (CS) da ONU, um dia antes do fim do mandato de sua comissão. O promotor belga recebeu positivamente o pedido do CS para que estenda seu mandato por mais um ano, apesar de ter dito que a maior parte do trabalho poderá ser concluída ainda nos próximos meses. Muitos libaneses culpam a síria pelo assassinato do primeiro-ministro e por uma série de atentados no ano passado contra políticos e jornalistas libaneses que faziam oposição à Síria. Damasco também nega o envolvimento em todos os ataques.

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