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Síria e oposição acusam EI de pôr bombas em cidade histórica

Regime de Assad tem avançado sobre Palmyra e governo teme que grupo radical possa destruir herança cultural em represália

O Estado de S. Paulo

22 de junho de 2015 | 18h31

DAMASCO -O governo da Síria e facções da oposição ao regime de Bashar Assad uniram-se nesta segunda-feira, 22, ao acusar o Estado Islâmico de colocar minas e explosivos na cidade histórica síria de Palmyra, tomada pelo grupo no mês passado. Tanto o Observatório Sírio para os Direitos Humanos ( OSDH - ONG ligada à oposição), quanto o Ministério de Antiguidades disseram que a cidade de ruínas romanas, considerada patrimônio da Humanidade, corre perigo. 

“O EI colocou explosivos nos templos e em outros locais de Palmyra, segundo informações de moradores da região. Não sei se pretendem com isso impedir o avanço das tropas do governo ou se pretendem destruir as ruínas”, disse o diretor de Antiguidades e Museus de Assad, Mahmoud Abdelkarim. “Em razão do histórico de destruição e saques do EI, trata-se de um mau agouro.”

No domingo, o OSDH já alertava para as ações do Estado Islâmico em Palmyra. “As bombas foram montadas no sábado. Algumas estão ao redor do antigo anfiteatro romano”, disse o grupo. “A cidade é refém nas mãos do EI e a situação é muito perigosa.”

A ameaça do EI ao patrimônio histórico sírio ocorre em meio ao avanço de tropas de Assad a Palmyra. Ainda ontem, o Exército conseguiu tomar do grupo radical uma rota de fornecimento de petróleo próxima da cidade. O regime sírio tem aumentado o número de tropas em torno da cidade e bombardeado a periferia de Palmyra. Um ataque, até o momento, no entanto, parece improvável. 

“A situação em Palmyra é muito difícil para os civis. Falta eletricidade e água”, disse o militante Mohamed Hasan al-Homsi, que luta contra o EI. 

As ruínas de Palmira, no centro da Síria, são um dos seis locais incluídos como patrimônio da humanidade da União das Nações Unidas para Educação e Cultura (Unesco). A cidade foi nos séculos I e II d.C um dos centros culturais mais importantes do mundo antigo e ponto de encontro das caravanas na Rota da Seda, que atravessavam o árido deserto do centro da Síria. Antes do início do conflito, as ruínas de Palmira eram uma das principais atrações turísticas do país. O EI tomou o controle da cidade em maio deste ano.

Antes de avançar sobre Palmyra, o EI promoveu a destruição de sítios históricos da civilização assíria, em Mossul, no Iraque, o que provocou uma série de críticas da comunidade internacional. Estátuas e peças antigas foram demolidas sob a justificativa de apostasia.

 

Combates. No fim de semana, tropas de Assad conseguiram expulsar os adeptos do EI das cidades de Al-Birayat e al-Gharbiya. Com os avanços recentes, Assad conseguiu retomar o oleoduto de Jazal, a 20 km de Palmyra, importante para manter o fornecimento de energia a Damasco e Homs.

“A prioridade de Assad continua sendo os campos de petróleo e gás ao redor de Palmyra. Um ataque à cidade carece de apoio popular”, avaliou em nota o OSDH. 

Enquanto tropas de Assad e rebeldes sunitas rivais do EI lançam-se contra o grupo no centro e no sul da Síria, os curdos têm tido uma série de vitórias no norte do país, coração do território do EI. Na província de Raqqa, a capital do califado decretado pelo EI , o grupo recuava diante do avanço de tropas curdas sírias. Os peshmerga conseguiram na semana passada tomar Tal-Abyad, na fronteira com a Turquia, importante ponto de recrutamento de militantes para o EI. / REUTERS e EFE

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