Síria entra para o Conselho de Segurança da ONU

A Síria conquistou hoje um assento no Conselho de Segurança da ONU com um avassalador apoio de nações de todo o mundo, apesar de estar na lista de países patrocinadores do terrorismo, definida pelos Estados Unidos. A Assembléia Geral da ONU elegeu a Síria para um período de dois anos no poderoso órgão, numa primeira votação. O país recebeu 160 votos a favor do seu ingresso no Conselho de Segurança,entre as 177 nações votantes. A Guiné, Camarões e Bulgária também foram eleitos já na primeira votação. O México derrotou a República Dominicana na disputa pelo assento latino-americano. A Síria foi escolhida por unanimidade pelas nações árabes e asiáticas para a cadeira da Ásia no conselho. O assento, ocupado por Bangladesh, será vago em 1º de janeiro. Candidatos que têm o apoio regional unânime quase sempre são eleitos. No ano passado, os EUA lideraram com sucesso uma campanha para não permitir que o Sudão, também listado como patrocinador de terrorismo por Washington, assumisse uma cadeira no conselho. Mas este ano, apesar da oposição de Israel e apelos de último minuto de 38 membros do Congresso americano ao presidente George W. Bush para ele se opor à candidatura da Síria, a administração dos EUA permaneceu em silêncio. O embaixador de Israel na ONU, Yehuda Lancry, disse que a eleição da Síria ia contra "o espírito e a letra" da Carta das Nações Unidas, segundo a qual todo candidato ao Conselho de Segurança "deve provar sua adequação em termos de contribuição à paz e à segurança internacionais". "A Síria na verdade apóia grupos terroristas dentro e fora da Síria", afirmou Lancry. "Trata-se de um absoluto absurdo e uma absoluta falta de sentido ter a Síria como membro do Conselho de Segurança." Mas o embaixador da Arábia Saudita na ONU, Fawzi Shobokshi, defendeu que "a Síria merece ser um membro do Conselho de Segurança... porque eles representam um governo responsável e desempenham um importante papel em nossa parte do mundo". Num editorial publicado hoje, o jornal estatal sírio Al-Baath escreveu que a Síria queria integrar o conselho devido à sua "verdadeira preocupação em ver o mundo desfrutando paz e segurança com base na legitimidade internacional". O diário afirmou que, com o início dos ataques aéreos contra o Afeganistão, existe "uma necessidade crescente por uma voz que defenda a importância de se consolidar a paz, a segurança e a cooperação neste mundo". Leia o especial

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