Síria expõe tensão entre EUA e Rússia

Washington e Moscou trocam acusações sobre envio de armas a envolvidos no conflito

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2012 | 03h08

A crise na Síria tem provocado uma deterioração nas relações entre Moscou e Washington. Russos e americanos têm trocado acusações públicas sobre o envolvimento de ambos no envio de armas para o regime e a oposição, respectivamente, no conflito sírio.

O embate entre autoridades da Rússia e dos EUA ocorre em meio a uma proposta da França, aliada dos americanos, para o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea na Síria e a imposição de punições, caso o regime de Bashar Assad não cumpra os seis pontos do plano do ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan para tentar solucionar a crise, considerada uma guerra civil por parte da comunidade internacional.

Ontem, o chanceler russo, Sergei Lavrov, rebateu as acusações da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, de que Moscou teria enviado helicópteros de ataque para as forças de Assad. "Não estamos violando nenhuma lei internacional ao cumprir contratos (de venda de armas). Além disso, não enviamos nada para a Síria que possa ser utilizado contra manifestantes pacíficos", disse o ministro ao comentar o caso.

A Síria não é alvo de embargo internacional imposto pelo Conselho de Segurança da ONU e a venda está dentro das leis. Mas o envio de armamento a Damasco neste momento dificulta a aplicação de iniciativas para tentar resolver o conflito.

O chefe da diplomacia russa ainda devolveu as acusações e disse que são os americanos os responsáveis pelo fracasso do plano de Annan. "São eles (os EUA) que fornecem armas à oposição síria que podem ser usadas para lutar contra o governo de Damasco." Os americanos negam que estejam armando as milícias de oposição.

O Departamento de Estado afirma que Washington concede apenas ajuda logística na área de comunicação e saúde para a ala pacífica da oposição, não incluindo grupos dissidentes como o Exército Sírio Livre e rebeldes salafistas.

Diálogo. Para tentar contornar o embate entre as duas potências nucleares, o secretário de Relações Exteriores da Grã-Bretanha, William Hague, se reunirá com Lavrov nos próximos dias. "A Síria está à beira de um colapso, de uma mortífera guerra civil", afirmou o chanceler, que tentará novamente convencer a Rússia a pressionar Assad.

A França, que se manteve na vanguarda da pressão contra Assad mesmo depois da troca de governo em Paris, propôs ontem que medidas mais duras sejam tomadas para a tentar forçar a aplicação do plano de Annan, incluindo o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea, segundo o chanceler Laurent Fabius.

"Para prevenir esta guerra civil, precisamos que Assad deixe o poder e a oposição ofereça uma alternativa viável", disse o ministro francês. A melhor forma, na avaliação dele, seria por meio de uma resolução no Conselho de Segurança, com a imposição de duras sanções e a adoção da zona de exclusão aérea.

A Rússia e a China já se posicionaram contra resoluções como a sugerida por Fabius, o que inviabiliza a iniciativa.

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