Síria fala em retaliação após segundo bombardeio de Israel em 48 horas

Quatro violentas explosões atribuídas à aviação de Israel atingiram, nas primeiras horas de ontem, instalações militares no oeste de Damasco, ampliando temores de que a guerra civil na Síria termine por envolver diretamente países vizinhos. Foi a segunda vez em 48 horas que aviões israelenses bombardearam o território sírio. A Síria ameaçou retaliar a agressão, dizendo que se defenderá "com todos os meios necessários".

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2013 | 02h07

Nos bastidores, autoridades israelenses e ocidentais afirmaram que o alvo dos bombardeios eram mísseis Fateh-110, de fabricação iraniana, que seriam entregues ao grupo xiita libanês Hezbollah. Um ataque semelhante aos dos últimos dias havia ocorrido em janeiro, também com o objetivo de impedir o envio de armas ao Líbano.

A imprensa estatal síria noticiou que mísseis israelenses atingiram um centro de pesquisas na periferia de Damasco, causando mortes. O número de vítimas, porém, não foi revelado. Um porta-voz do governo sírio qualificou os ataques de "flagrante violação do direito internacional, que torna o Oriente Médio ainda mais perigoso". Damasco também denunciou uma suposta aliança entre Israel e rebeldes leais à Al-Qaeda.

Os bombardeios de ontem foram devastadores e os estrondos puderam ser ouvidos em grande parte de Damasco, segundo o relato de moradores da capital. Com o chão tremendo, alguns pensaram que se tratava de um terremoto. "A noite virou dia", disse um sírio.

Imagens postadas na internet mostravam colunas de fumaça contra a luz dos alvos em chama. Além do centro de pesquisas, a TV síria identificou uma das instalações bombardeadas como uma fazenda. Fotos mostravam pilhas de concreto e aço retorcido.

A Liga Árabe, embora apoie a luta contra Assad, condenou os ataques israelenses. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que as informações sobre a ofensiva causam "grave preocupação" e pediu "a todos os lados que tenham o máximo de calma e cuidado".

De olho em Teerã. À agência Reuters, uma fonte da inteligência americana disse que Israel não avisou Washington sobre seus planos. Oficialmente, Israel não admite ter bombardeado a Síria. Nos bastidores, porém, fontes dizem que o objetivo dos ataques foi impedir que mísseis de curto alcance Fateh-110, de fabricação iraniana, chegassem ao Hezbollah, dando um inédito poder de fogo ao grupo libanês. Os insurgentes xiitas e Israel travaram uma guerra no sul do Líbano em meados de 2006.

Em condição de anonimato, autoridades de Israel disseram à Associated Press que o conflito que estão travando não é contra a Síria, mas o Irã. Para Tel-Aviv, Teerã deseja repassar os mísseis ao Hezbollah para ampliar os "custos" que teria um ataque de Israel contra suas instalações nucleares.

Em dois anos de instabilidade, mais de 70 mil sírios morreram e milhões tiveram de abandonar suas casas. Nos últimos dias, cresceram os relatos de um novo massacre - desta vez, na cidade mediterrânea de Banias. O Observatório Sírio de Direitos Humanos, entidade com sede em Londres que monitora a guerra civil, afirma que mais de 60 pessoas foram executadas nos últimos dias por atiradores leais a Assad. / AP e REUTERS

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