Síria: governo não retirou soldados, diz oposição

As tropas sírias começaram a se retirar de algumas cidades nesta terça-feira, uma semana antes do prazo final para implementar um plano internacional de cessar-fogo, disse um funcionário do governo sírio. A afirmação não pôde ser verificada nos locais e ativistas nos subúrbios de Damasco negaram que o governo tenha retirado os soldados. Eles disseram que no dia em que isso ocorrer a Síria terá protestos maciços que levarão a uma queda do governo. O Observatório Sírio pelos Direitos Humanos, organização opositora com sede em Londres, disse que continuam a ocorrer combates na província sulista de Deraa, na província de Idlib, no norte, e nos subúrbios de Damasco. O Observatório disse que pelo menos dois civis e um soldado foram mortos nesta terça-feira na cidade de Taftanaz, em Idlib. Aparentemente, a oposição também não respeita o cessar-fogo.

AE, Agência Estado

03 de abril de 2012 | 19h29

Os Comitês de Coordenação Local, um grupo de ativistas na Síria, disseram que pelo menos 13 pessoas foram mortas hoje no país, seis das quais na província de Homs e cinco em Idlib. Não foi possível verificar os números de maneira independente. Um ataque de insurgentes, em Alepo, matou dois guardas na casa do chefe das Forças Armadas na cidade.

O presidente sírio Bashar Assad concordou na segunda-feira com o prazo final de 10 de abril para implantar o plano de cessar-fogo do enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan. O plano exige que o governo retire os soldados das cidades e respeite uma trégua. Khaled al-Omar, um ativista no subúrbio de Saqba, em Damasco, negou que qualquer retirada esteja ocorrendo. "Isso é impossível. Eu posso ver um posto de controle com soldados, da janela da minha casa", ele disse através do Skype.

Sayyed Mahmud, um ativista em Deraa, disse à agência France Presse (AFP), também através do Skype, que soldados incendiaram 14 casas e estão destruindo alimentos nos armazéns. "É parte de uma campanha do governo para deixar as pessoas esfomeadas", disse.

Também não está claro se os insurgentes e desertores do Exército Livre da Síria (ELS), que operam em várias partes do país, estão respeitando o cessar-fogo. Alguns grupos parecem ter perdido o contato com a sede da organização na Turquia.

Um dos líderes da oposição síria, Riyad Turk, pediu nesta terça-feira apoio ao plano de paz de Kofi Annan e fez mais um apelo pelo diálogo, mas afirmou que antes Bashar Assad precisa renunciar. "Uma solução política precisa começar com o presidente renunciando ao poder", disse Turk.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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