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Síria ignora pressão internacional e envia Marinha para conter levante

Assad usa navios de guerra contra opositores na cidade portuária de Latakia, deixando 26 mortos

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK - O regime de Bashar Assad ignorou os apelos internacionais para conter a violência e pela primeira vez usou navios da Marinha contra a oposição. Ao menos 26 pessoas morreram pelos disparos feitos por navios na cidade de Latakia e centenas teriam sido presas pelas forças de segurança, segundo relatos de grupos opositores e de direitos humanos.

   

 

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A agência de notícias estatal Sana divulgou uma versão distinta, indicando que 41 membros das forças sírias foram feridos e outros 2 mortos ao serem alvejados por milícias na cidade. Segundo a Sana, quatro integrantes do que o governo classifica como "gangues terroristas" morreram na troca de tiros.

Não há confirmação independente das informações, apesar de estarem disponíveis na internet imagens dos disparos feitos pelas embarcações e de tanques entrando na cidade no sábado. Jornalistas estrangeiros sofrem restrições para entrar na Síria. O regime de Assad também impede o acesso de entidades humanitárias às cidades onde suas forças têm usado a violência para reprimir protestos. Segundo estimativas, mais de 2 mil pessoas já foram mortas na repressão. Ontem, a Organização para Cooperação Islâmica - que reúne 57 países - também condenou as ações das tropas de Assad.

Nos EUA, a Casa Branca divulgou um comunicado sobre a conversa que o presidente Barack Obama teve com premiê britânico, David Cameron, pedindo mais uma vez "a contenção da violência cometida pelas forças de Assad". Os dois líderes acrescentaram que realizarão "consultas nos próximos dias para determinar os próximos passos". A pressão deve ser para os países europeus e até mesmo a China adotarem sanções contra a indústria petrolífera da Síria. Apesar de não serem grandes produtores, os sírios são dependentes da exportação do produto.

No Conselho de Segurança da ONU, os EUA e as nações europeias tentam negociar uma resolução condenando a Síria pela violência, mas ainda esbarram na oposição de países como Brasil, Índia, África do Sul, Rússia e China. Estas nações tentam convencer Assad por meio do diálogo a conter a violência.

Os russos são tradicionais aliados de Damasco e usam Latakia como entreposto para sua Marinha no Mediterrâneo. A cidade portuária, diferentemente de Hama, não é conhecida por ser um polo do extremismo sunita. Mas os bairros mais pobres e religiosos da cidade foram alvo da ofensiva síria, segundo relatos.

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