Síria ignora ultimato da Liga Árabe e promete violência

Os militares sírios prometeram nesta sexta-feira "cortar qualquer mão malvada que espalhe sangue sírio", ao dizerem que ataques contra as forças de segurança marcaram uma escalada perigosa na crise política de mais de oito meses no país. O comunicado desafiador é um sinal de que a violência está aumentando na Síria. Nesta sexta-feira, venceu o prazo dado pela Liga Árabe para que o regime do presidente Bashar Assad permitisse a entrada de uma missão observadora. Agora, o regime enfrenta a perspectiva de sofrer sanções dos seus próprios vizinhos árabes.

AE, Agência Estado

25 de novembro de 2011 | 14h49

Assad enfrenta um isolamento quase total, com o apoio apenas do Irã. O protesto contra seu regime começou em grande parte pacífico, em março, mas agora virou violento com desertores do exército tentando derrubar o regime. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 3.500 pessoas já foram mortas, a grande maioria civis e manifestantes nas mãos do governo, mas também soldados regulares e policiais assassinados em represálias e emboscadas.

"Nossas Forças Armadas continuarão a conduzir nossa missão de defender a segurança do país e vamos golpear de volta qualquer um que nos ameaçar", disse o comunicado.

Na quinta-feira, a Liga Árabe deu um prazo de 24 horas para a Síria permitir a entrada de uma missão com dezenas de observadores de outros países árabes. Mas o ultimato não surtiu efeito, uma vez que a Síria apenas enviou nesta sexta-feira uma carta pedindo mais detalhes sobre a missão, disse o secretário-geral da Liga, Nabil Al-Arabi. A Liga se reunirá no sábado para decidir quais serão as sanções, disse o vice-secretário da Liga, Ahmed Ben Heli. As punições podem ir desde a suspensão dos voos comerciais à Síria ao congelamento de bens e dinheiro de personalidades do regime sírio nos outros países árabes.

A Turquia disse que esta sexta-feira marcaria um "dia histórico e decisivo" para a Síria, se o país permitisse a entrada dos observadores árabes, afirmou em Istambul o chanceler turco Ahmet Davutoglu. Ele falou ao lado do novo chanceler italiano, Giulio Terzi. "A Síria precisa abrir suas portas para os observadores".

A agência estatal de notícias da Síria, a Sana, descartou o ultimato e afirmou que a Liga Árabe virou uma "ferramenta para a interferência estrangeira" que passou a servir uma agenda ocidental para espalhar problemas pela região.

Nesta sexta-feira, pelo menos três pessoas foram mortas na Síria, disse o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, sediado em Londres. Segundo os ativistas, a polícia síria disparou contra mesquitas na cidade Deraa, aparentemente para impedir que as pessoas saíssem dos templos para protestar, como fazem todas as sextas-feiras. Também ocorreram confrontos na província de Idlib, perto da Turquia.

As informações são da Associated Press.

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