Síria insiste em receber relatório integral sobre Iraque

O embaixador da Síria junto à Organização das Nações Unidas (ONU), Mikhail Wehbe, anunciou que seu país vai devolver ao Conselho de Segurança a versão censurada que recebeu do relatório do Iraque sobre armas de destruição em massa. Wehbe afirmou que a distribuição do texto censurado é uma violação da Resolução 1441, que, segundo ele, "é muito clara: ele (o texto iraquiano) deveria ser entregue a todos os países-membros". A Síria é o único país árabe no Conselho de Segurança; ela votou a favor da Resolução 1441, que exigiu do Iraque a entrega do relatório sobre armas de destruição em massa. O documento de 12.000 páginas foi entregue pelo Iraque a representantes da ONU no dia 7 de dezembro. Os EUA tomaram posse do documento e os outros quatro membros permanentes do Conselho de Segurança reclamaram, o que levou o atual presidente do Conselho, o colombiano Alfonso Valdivieso, a decidir, no mesmo dia, que cópias da versão integral deveriam ser distribuídas a todos os membros permanentes (EUA, Reino Unido, França, Rússia e China). Os outros dez países-membros do Conselho receberiam apenas uma versão censurada, contendo 3.500 páginas sobre mísseis e armas químicas e biológicas e 2.000 páginas sobre o programa nuclear iraquiano. Antes da Síria, outros países-membros do Conselho que protestaram contra a discriminação foram a Noruega e o México. Os EUA argumentam que os documentos iraquianos podem conter "receitas" sobre como produzir bombas atômicas e outros armamentos. Os críticos da posição norte-americana, porém, sustentam que os EUA e seus aliados não querem divulgar o texto porque ele dá detalhes sobre empresas e governos de países do Ocidente que ajudaram o Iraque a obter aquelas armas.

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