Síria limita viagens de embaixadores pelo país

Depois de crise provocada por visita de representantes de EUA e França a cidade opositora, diplomatas deverão pedir permissão para deixar Damasco

, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2011 | 00h00

BEIRUTE

A Síria restringiu ontem os movimentos dos embaixadores dos EUA e da França no país. Os diplomatas foram orientados a não viajar para fora da capital sem permissão do governo, ou serão proibidos de deixar a cidade. A medida foi tomada duas semanas após a passagem dos representantes pela cidade de Hama, que se tornou o centro do levante contra o presidente Bashar Assad, que já dura quatro meses.

A ameaça foi feita pelo ministro de Relações Exteriores Walid al-Moallem, durante uma palestra na Universidade de Damasco. A medida viola o artigo 26 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, que garante a livre circulação e trânsito de todos os funcionários da missão diplomática.

"Nós não expulsamos os dois embaixadores, pois queremos que as relações se desenvolvam no futuro e para que seus governos revisem suas posições em relação à Síria", afirmou o chanceler sírio. "Se isso se repetir, vamos impor uma proibição que impeça os diplomatas de se afastar mais de 25 quilômetros de Damasco", completou.

Nos dias 7 e 8, o embaixador americano Robert Ford e seu colega francês Eric Chevallier viajaram separadamente para Hama para expressar seu apoio ao povo sírio, que se manifesta pacificamente. Moradores da cidade afirmaram que a visita ajudou a evitar ataques das forças de segurança de Assad.

Na ocasião, o governo sírio aproveitou a visita de Ford para afirmar que conspirações estrangeiras são responsáveis pelos protestos contra o presidente Assad, e não os opositores.

As relações entre os EUA e a Síria estão estremecidas por causa dos laços de Assad com o Irã.

Repressão. Forças de segurança vasculharam bairros opositores e detiveram dezenas de pessoas, entre eles George Sabra, líder do Partido Nacional Democrata, considerado ilegal. Sabra foi detido pela segunda vez desde o início dos protestos em sua casa no subúrbio de Qatana.

Ontem, tropas da Quarta Divisão, comandada por um irmão de Assad, também cercaram o subúrbio de Harasta. Um morador que conseguiu escapar do bairro disse que a água, a eletricidade e os telefones foram cortados.

Desde o fim de semana, cerca de 50 pessoas morreram em todo o país. É impossível verificar os relatos de forma independente, pois o governo sírio expulsou do país a maioria dos jornalistas estrangeiros. / AP e REUTERS

PARA LEMBRAR

Representações foram atacadas

Dias depois do anúncio da visita do embaixador americano a Hama, partidários de Assad atacaram as embaixadas dos EUA e da França em Damasco. Três funcionários da embaixada francesa ficaram feridos. A cidade, conhecida por ter sido cenário de um massacre lançado por Hafez Assad, pai de Bashar, nos anos 80, transformou-se em alvo da dura repressão das forças de segurança.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.