Síria mata 26 em Homs, enquanto observadores iniciam missão no país

Os relatos de massacres de opositores na Síria continuaram ontem, enquanto o primeiro time de observadores da Liga Árabe iniciou sua missão no país. Grupos que se opõe ao regime de Bashar Assad afirmaram que forças do ditador mataram ontem 33 civis - 26 deles na cidade de Homs, um dos redutos da oposição, no centro da Síria.

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2011 | 03h07

Os primeiros funcionários do bloco regional árabe chegaram na semana passada para preparar a vinda dos observadores. Os emissários - inicialmente cerca de 60, chefiados pelo general sudanês Mustafa Dabi - deveriam se deslocar para os principais focos de violência hoje: as cidades de Homs, Hama e Idlib.

No entanto, segundo informações de bastidores, a crise em Homs teria levado os observadores a visitar a cidade ontem mesmo. O Conselho Nacional da Síria (CNS), órgão que reúne vários grupos que se opõem a Assad, afirmou que os representantes árabes de fato foram a Homs, mas "não puderam trabalhar". "Eles declararam que não puderam ir a lugares onde autoridades não querem levá-los", disse Burham Ghaliun, um dos líderes do CNS, exilado em Paris.

A TV Al-Arabiya chegou a noticiar que um emissário da Liga Árabe, identificado como Mostashar Mahgoub, teria sido atingido por um disparo em Homs. Em entrevista à rede, ele afirmou que "o que está ocorrendo na Síria é um genocídio". O tipo de ferimento e as circunstâncias em que ele teria sido atingido não foram revelados. A nacionalidade de Mahgoub tampouco foi divulgada pela emissora árabe. "O regime está se vingando de sua população", afirmou o suposto funcionário em entrevista por telefone.

No começo do dia, o general sudanês que coordena os observadores havia afirmado que as autoridades sírias estavam "cooperando muito bem até agora". Dabi, porém, admitiu que os emissários serão transportados ao redor da Síria pelo regime - o que, para opositores, impede a verificação efetiva dos fatos.

Observadores que já estão na Síria, contudo, prometem que manterão o controle da situação. "O elemento surpresa estará presente", afirmou Mohamed Salem al-Kaaby, diplomata dos Emirados Árabes. "Informaremos o lado sírio sobre as áreas que visitaremos no próprio dia, para que eles não possam mudar os fatos no terreno."

Os representantes da Liga Árabe têm por missão relatar se Assad está cumprindo a promessa de retirar suas tropas das ruas, de cessar a violência, de libertar presos políticos e de promover a abertura do regime. Segundo estimativas da ONU, mais de 5 mil pessoas morreram em nove meses de distúrbios na Síria.

Imagens. Vídeos postados ontem no YouTube mostravam um aparente cerco das forças de Assad a Homs. Prédios residenciais e outros alvos civis aparecem nas imagens sendo atingidos por artilharia pesada, incluindo disparos de tanques e granadas de morteiro.

Um outro vídeo mostra quatro corpos de homens vestidos em trajes civis. Ensanguentados, os cadáveres estão sob postes em um beco estreito, com violentas fraturas na cabeça.

"Esse é Baba Amr, 26 de dezembro de 2011. Os disparos continuam em nosso bairro", dizia uma voz no vídeo, referindo-se ao bairro de Homs que tem sido um dos focos da repressão de Assad. Filmando os corpos pelo chão, o narrador continuava: "Esses são mártires jogados pelas ruas. Allahu Akbar (Deus é Grande, em árabe)". / AP e REUTERS

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