Síria mata ativistas, apesar de presença de enviados da Liga Árabe

Ao menos 6 pessoas foram mortas em Hama; governo faz concessão e liberta 755 prisioneiros

28 de dezembro de 2011 | 23h34

BEIRUTE - Forças de segurança do regime de Bashar Assad abriram fogo nesta quarta-feira, 28, contra milhares de manifestantes que protestavam contra o governo na cidade de Hama, no centro da Síria, matando ao menos seis pessoas, segundo ativistas. A repressão ocorreu enquanto representantes da Liga Árabe, que têm a missão de verificar o fim à repressão contra os dissidentes, visitavam a cidade de Homs, onde a situação também era explosiva.

Apesar de a Síria ter feito algumas concessões aos monitores da Liga Árabe desde que eles começaram a trabalhar no país, na terça-feira, as forças do governo mantiveram seus esforços para reprimir os protestos pacíficos em Hama, Homs e outras partes do país. Ativistas dizem que 39 pessoas foram mortas desde a chegada dos observadores.

Prisioneiros. O governo libertou 755 prisioneiros após a divulgação de um relatório da Human Rights Watch acusando as autoridades de ocultar dos observadores centenas de presos. Em dois dias, foi a segunda concessão feita à Liga Árabe.

Na segunda-feira, o Exército sírio ordenou a retirada de parte de seus soldados da cidade de Homs depois de tê-la bombardeado durante dias, matando inúmeras pessoas. Os monitores receberam autorização para visitar a cidade e, com a vinda deles, dezenas de milhares de manifestantes foram às ruas, entoando gritos que guerra que pediam a execução do presidente Assad.

Os 60 monitores da Liga Árabe na Síria devem garantir que o regime respeite os termos de um plano que prevê o fim da repressão contra os protestos. A ONU diz que mais de 5 mil pessoas foram mortas na Síria desde março.

O plano exige que o governo retire as forças de segurança e o armamento pesado das ruas das cidades, participe de negociações com líderes da oposição e permita a entrada de jornalistas e funcionários das agências humanitárias no país. Além disso, todos os prisioneiros políticos devem ser libertados.

Os observadores árabes iniciaram sua missão, que deve durar um mês, com uma visita a Homs na terça-feira – foi a primeira vez que a Síria permitiu a presença de observadores estrangeiros na cidade, reduto dos levantes contra o governo.

Vários membros de uma equipe formada por 12 pessoas passaram a noite da cidade. À noite, eles iriam para Deraa (sul), Idlib (noroeste) e Hama – cidades consideradas importantes redutos do movimento de oposição –, assim como arredores de Damasco.

Em Hama, milhares de manifestantes tentavam chegar à Praça Assi, no centro da cidade, para ocupá-la pacificamente, em meio a uma forte presença das forças de segurança, quando soldados abriram fogo com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo para dispersá-los, segundo os ativistas.

Saleh Abu Kamel, de Hama, disse à Associated Press ter o nome de seis pessoas que foram mortas pelos disparos, assim como o de muitas outras que ficaram feridas. O número não pôde ser confirmado.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, com sede na Grã-Bretanha, e as Comissões Locais de Coordenação confirmaram os protestos e os disparos, fornecendo informações conflitantes quanto ao número de vítimas.

Apesar da repressão, um representante da Liga Árabe disse que a cooperação das autoridades sírias com a missão de observação “inspira otimismo”. “Os representantes do regime sírio estão facilitando as coisas”, disse Adnan Issa al-Khudeir. / AP

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