Síria organiza eleições em clima de violência

Governo diz que votação já faz parte das reformas políticas prometidas, mas oposição denuncia fraudes e boicota o pleito

BEIRUTE, O Estado de S.Paulo

08 Maio 2012 | 03h06

A Síria realizou eleições parlamentares ontem, apresentando-as como um passo para as reformas prometidas. A oposição, porém, descreveu a votação como uma "farsa" que ignorou as demandas populares por mudanças políticas. Segundo Damasco, a eleição foi um sinal de que o governo já começou a atender às demandas do povo. Adnan Mahmoud, ministro da Informação, disse que a eleição ocorreu em meio a um clima de "democracia e pluralismo político".

Não se espera que a eleição altere o impasse entre governo e oposição. As negociações devem continuar segundo o plano de paz da ONU. O primeiro passo na trégua, no entanto, o cessar-fogo, ainda não vigorou desde que foi anunciado, em abril.

Os opositores disseram que a eleição foi apenas mais uma das fraudes que se tornaram comuns nos 50 anos de governo do Partido Baath. Enquanto as zonas eleitorais continuavam abertas, tanques bombardeavam cidades revoltosas. "Não podemos chamar isto de eleição", disse Mohamed Sarmini, membro do Conselho Nacional Sírio, em Istambul.

Cerca de 7,2 mil candidatos, entre eles 710 mulheres, concorreram para 250 cadeiras disputadas em 15 distritos eleitorais. Dos 23 milhões de sírios, quase 15 milhões teriam o direito de votar. Boa parte, porém, aderiu ao boicote proposto pela oposição. / NYT

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.