Bilal Hussein/AP
Bilal Hussein/AP

Síria planta minas terrestres na fronteira com o Líbano

Objetivo é evitar contrabando de armas para opositores de Bashar Assad, diz fonte do governo

Associated Press

01 de novembro de 2011 | 07h57

BEIRUTE - Um funcionário do governo da Síria e testemunhas disseram que os militares plantaram minas terrestres na região da fronteira do país com o Líbano. O objetivo, afirmou a fonte, seria impedir o contrabando de armas para os opositores do presidente Bashar Assad.

 

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O oficial falou em condição de anonimato. As testemunhas, por sua vez, afirmaram ter visto militares colocando as minas na região oeste do país, na entrada para o Líbano, para onde muito refugiados estão indo devido à violência que se instaurou na Síria. A medida também pode ser um sinal de que Damasco quer evitar que o território libanês sirva como local de concentração de seus opositores. "A Síria tomou várias medidas para aumentar o controle nas fronteiras, inclusive a implantação de minas terrestres", disse a fonte.

 

Três moradores da região fronteiriça afirmaram que as pequenas elevações de terra visíveis na área eram os locais onde os explosivos foram colocados. Eles disseram que vários caminhões levando cerca de cem soldados chegaram ao local na última quinta-feira, quando foi iniciada a operação para a colocação das minas. "Ninguém ousa chegar perto da fronteira desde então", disse uma das testemunhas.

 

Um funcionário da área de defesa do Líbano confirmou que a Síria plantou os explosivos, mas disse que Beirute não vai interferir nas ações tomadas no lado sírio. "O que nos preocupa são as violações e perseguições a sírios do nosso lado da fronteira", disse a fonte.

 

A Síria e o Líbano compartilham uma faixa limítrofe de 365 quilômetros, mas os explosivos aparentemente foram plantados na região da província de Homs, onde ocorrem protestos contra Assad, e em Irsal.

 

Assad enfrenta há mais de sete meses uma revolta contra seu governo autocrático. Nas últimas semanas, houve relatos de desertores que empunharam armas para lutar contra os militares fiéis ao regime, mostrando que a população busca instrumentos para se defender da repressão. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 3 mil pessoas já morreram no país por conta da violência. 

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