Zain Karam/Reuters
Zain Karam/Reuters

Síria pode ficar no topo de agenda da Assembleia da ONU

Com ausência de solução, Brasil argumenta que é necessário aumentar o número de membros permanentes no CS

estadão.com.br,

18 de setembro de 2012 | 19h29

A guerra civil na Síria pode ser um dos temas abordados pela presidente Dilma Rousseff na abertura do Debate Geral da 67ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, na próxima terça-feira. O fracasso dos líderes globais em pôr fim à escalada de violência sob o regime de Bashar Assad deverá estar no centro dos debates do encontro.

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A ausência de uma solução para o conflito poderá fortalecer o argumento brasileiro de que é preciso aumentar o número de membros permanentes no Conselho de Segurança.

Os Estados Unidos, Reino Unido e França vêm tentando impor sanções contra o regime de Assad, mas a Rússia - principal protetor do governo de Damasco - e a China exigem que a mesma pressão seja aplicada sobre os rebeldes, afirmando que o verdadeiro objetivo do Ocidente é derrubar o governo, trazendo ainda mais instabilidade para a região. Moscou e Pequim vetaram três resoluções contra Assad.

Muitos diplomatas, contudo, não esperam avanços na questão. O embaixador da França na ONU, Gerard Araud, afirmou que o Conselho "nunca esteve tão paralisado desde o fim da Guerra Fria". Os chamados "Amigos da Síria", grupo que inclui países que apoiam a instalação de um governo democrático na Síria, também se reunirão no dia 28, em sessão a ser liderada pela secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton.

O ministro de Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, disse, em entrevista ao Estado, que as potências "não estão fazendo sua parte" para resolver o conflito sírio.

Em discurso na cerimônia que abriu os trabalhos da ONU, na noite de segunda-feira, Ban Ki Moon afirmou que "conflitos continuam a clamar vidas de inocentes desde a Síria até a África Central até o Afeganistão. Em todas as regiões comunidades enfrentam dificuldades econômicas e incerteza política". Mas, continuou, "eu acredito que podemos enfrentar o desafio - e eu sei que vocês acreditam nisso também", afirmou ele segundo a agência de notícias da ONU.

Programa nuclear do Irã

O outro tema polêmico é a questão nuclear iraniana. Israel vem alertando que o Irã armado com uma bomba atômica é uma ameaça contra sua própria existência, e que pode fazer um ataque preventivo para impedir que isso aconteça. É esperado que o presidente Barack Obama e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu reúnam-se durante a Assembleia para discutir a questão.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, irá discursar na quarta-feira (26). Ele insiste que o programa nuclear de seu país tem fins pacíficos. No dia seguinte, será a vez de o líder israelense discursar.

Negociações

Diversas reuniões de bastidores ocorrerão entre os mais de 130 chefes de Estado e diplomatas que chegarão a Nova York nos próximos dias, incluindo um encontro ministerial dos cinco integrantes com poder de veto no Conselho de Segurança. 

Com AP

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