Anas Al-Dyab / AFP
Anas Al-Dyab / AFP

Síria prepara arma química para usar em Idlib, dizem Estados Unidos

Segundo novo assessor do Departamento de Estado, há ‘evidências’ de que regime Assad poderia usá-la em ofensiva contra província rebelde

O Estado de S.Paulo

07 Setembro 2018 | 22h15

WASHINGTON - Os EUA revelaram nesta sexta-feira, 7, que há “várias evidências” de que armas químicas estão sendo preparadas pelas forças do governo de Bashar Assad na Província de Idlib, noroeste da Síria, e advertiram para o risco de uma ofensiva no último grande reduto rebelde no país.

“Temos informações muito substanciais para fazer esse alerta”, disse Jim Jeffrey, que foi nomeado no dia 17 pelo secretário de Estado, Mike Pompeo, assessor para as conversações sobre uma transição política na Síria. 

A Casa Branca advertiu que os EUA e seus aliados responderão “duramente” se as forças do regime Assad usarem armas químicas na esperada ofensiva em Idlib. Jeffrey disse que um ataque da Rússia e das forças sírias, e o uso de armas químicas, provocariam enorme fluxo de refugiados para a Turquia e áreas na Síria sob controle turco. 

Assad concentrou suas forças e de aliados na fronteira noroeste e caças russos iniciaram bombardeios sobre a área, um sinal de iminente ofensiva.

Os EUA exigiram na sexta-feira, 7, que Rússia e Irã impeçam a ofensiva de Assad contra Idlib. “Rússia e Irã, como países com influência sobre o regime, têm de deter essa catástrofe. Está nas mãos deles”, disse a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, em uma reunião do Conselho de Segurança, que ocorreu paralelamente a um encontro entre os presidentes de Rússia, Irã e Turquia, em Teerã, para discutir a situação da província rebelde. Para Haley, se o Kremlin apoiar um ataque contra Idlib estará deixando claro que mente quando diz que apoia a paz na Síria.

Na reunião em Teerã, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pediu a instauração de um cessar-fogo em Idlib. “Se conseguirmos emitir uma declaração de cessar-fogo, seria um dos resultados mais importantes desta cúpula e acalmaria a população civil”, afirmou Erdogan. Para ele, um assalto à província provocaria “uma catástrofe, um massacre e um drama humanitário”. 

No entanto, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que “o governo sírio tem o direito de assumir o controle da totalidade de seu território nacional e deve fazê-lo”. O presidente iraniano, Hassan Rohani, afirmou que a luta contra “o terrorismo” em Idlib é inevitável, mas “não se deve fazer os civis sofrerem”.

 

Relembre: mais de 20 mortos em ataques aéreos a Idlib

As forças sírias realizam há dias disparos de artilharia contra a região, enquanto o aliado russo lança bombardeios aéreos esporádicos, segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH). "O objetivo é destruir as fortificações dos insurgentes", afirmou o diretor da ONG, Rami Abdel Rahman. / REUTERS, AFP e EFE

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