Síria proíbe voos civis da Turquia em seu território

Tensão entre dois países aumenta depois de incidentes na fronteira.

BBC Brasil, BBC

13 de outubro de 2012 | 20h06

O governo da Síria anunciou neste sábado que aviões civis da Turquia estão proibidos de sobrevoar o território sírio.

A medida foi tomada dias depois de a Turquia ter interceptado um avião civil que fazia a rota Moscou-Damasco e encontrado munição e equipamento de defesa de fabricação russa na aeronave. A Turquia alegou que a munição seria usada pelo Exército sírio, o que a Síria nega.

O Ministério do Exterior sírio fez o anúncio na televisão estatal afirmando que a proibição será aplicada a partir da meia-noite (hora local) deste sábado e é uma retaliação à medida semelhante adotada pelo governo turco.

A Turquia não anunciou nenhuma proibição de voos sírios em seu território, mas informou que vai continuar a interceptar aeronaves civis da Síria se suspeitar que elas levam carga militar.

A tensão entre a Síria e a Turquia aumentou nos últimos dias devido a uma série de incidentes na fronteira entre os dois países.

Na semana passada, durante vários dias, ocorreram disparos na região depois que cinco civis turcos foram mortos por disparos vindos da síria.

O governo da Turquia tem dado apoio à oposição síria e já pediu a renúncia do presidente Bashar al-Assad.

Reunião

O enviado da ONU e da Liga Árabe à Síria, Lakhdar Brahimi, se reuniu neste sábado na Turquia com o ministro do Exterior do país, Ahmet Davutoglu, para discutir a crescente tensão entre os dois países.

Segundo James Reynolds, correspondente da BBC na Turquia, não eram esperados resultados mais decisivos a partir desta reunião, que também contou com a participação do ministro do Exterior da Alemanha, Guido Westerwelle.

"É importante que ninguém jogue petróleo no fogo. Estamos contando com a moderação", disse Westerwelle de acordo com a agência de notícias AFP.

Ainda neste sábado, o presidente turco, Recep Tayip Erdogan, disse em uma conferência em Istambul que o fracasso das medidas da ONU para a Síria deu ao presidente Bashar al-Assad o sinal verde para matar dezenas ou centenas de pessoas diariamente no país.

O correspondente da BBC afirma que a Turquia pode não estar em guerra com a Síria, mas está cada vez mais envolvida no conflito do país vizinho.

O presidente Bashar al-Assad acusa a Turquia, junto com a Arábia Saudita e o Catar, de fornecer armas para os rebeldes.

Mas, a Síria também afirma que está pronta para estabelecer um comitê conjunto para supervisionar a segurança na fronteira entre os dois países.

Sem plano de paz

A visita de Brahimi à Turquia ocorreu um dia depois de sua viagem à Jeddah, na Arábia Saudita, onde se encontrou com autoridades do país.

O vice-ministro do Exterior saudita, Abdel Aziz bin Abdullah, teria pedido pelo "fim imediato do derramamento do sangue do povo sírio".

Mas, a visita do enviado da ONU e da Liga Árabe não significa um novo plano de paz, segundo James Reynolds.

De acordo com Reynolds, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, sugeriu que Brahimi pode ir até Damasco na próxima semana se as reuniões na região forem bem.

E, ainda neste sábado, a imprensa estatal do Irã, país que é um dos grandes aliados da Síria na região, informou que Brahimi deve visitar Teerã no domingo para uma reunião, antes de sua visita ao Iraque na segunda-feira. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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