Síria: rebeldes criticam plano russo para armas químicas

O comandante do Exército Livre Sírio, general Salim Idris, pediu nesta quinta-feira que as autoridades do regime do presidente Bashar Assad sejam levadas ao Tribunal Penal Internacional por causa do suposto ataque com armas químicas, que matou centenas de pessoas nas proximidades de Damasco em agosto.

Agência Estado

12 Setembro 2013 | 09h18

Ele também criticou a proposta da Rússia para o arsenal químico de Assad, afirmando que em vez disso integrantes do governo do presidente sírio deveriam ser julgados pelo ataque realizado em 21 de agosto no subúrbio de Ghouta.

As declarações de Idris foram levadas ao ar por canais de televisão pan-árabes antes do encontro em Genebra entre o secretário de Estado norte-americano John Kerry e o ministro de Relações Exteriores russo Sergey Lavrov, que discutirão a proposta.

"Apelamos à comunidade internacional, não apenas para a retirada dar armas químicas, que foram a ferramenta para o crime, mas para responsabilizar aqueles que cometeram o crime perante o Tribunal Penal Internacional", afirmou Idris.

Ele acrescento que o Exército Livre Sírio "rejeita categoricamente a iniciativa russa" e a considera aquém das expectativas dos combatentes rebeldes.

Os Estados Unidos acusam o governo de Assad de ter realizado o ataque de agosto que, segundo o governo de Barack Obama, matou 1.429 pessoas. Outras estimativas indicam um número menor de vítimas.

Assad nega ter responsabilidade pelo que ocorreu e acusa o governo Obama de espalhar mentiras e não apresentar provas para suas acusações.

A proposta russa conseguiu, pelo menos por enquanto, evitar a ameaça de uma ação militar norte-americana contra a Síria. Muitos rebeldes esperavam que a realização de ataques contra as forças de Assad seria favorável a eles.

O vice-primeiro-ministro sírio, Qadri Jamil, disse nesta quinta-feira que a proposta russa só vai dar certo se os Estados Unidos e seus aliados prometerem não atacar a Síria no futuro.

"Nós queremos a promessa de que nem os Estados Unidos nem qualquer outro país serão agressivos contra a Síria", disse Jamil à Associated Press, em Damasco, nem explicar o que quis dizer. A declaração foi feita quando ele respondia uma pergunta sobre suas expectativas em relação à reunião desta quinta-feira entre Kerry e Lavrov.

Kerry e um grupo de especialistas norte-americanos farão uma reunião de pelo menos dois dias com representantes russos em Genebra. Eles esperam chegar a um acordo sobre como o estoque de armas químicas e materiais precursores - de cerca de 1.000 toneladas - pode ser listado, isolado e colocado sob controle internacional numa zona de guerra e, posteriormente, destruído. Fonte: Associated Press.

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