Síria: rebeldes tentam 'libertar' maior cidade do país

Um oficial das forças que tentam derrubar o governo da Síria disse que as tropas rebeldes lançaram uma ofensiva neste domingo para "libertar" Alepo, a maior cidade do país. Em Damasco, a capital síria, tropas leais ao presidente Bashar Assad recuperaram o controle de bairros que os rebeldes haviam ocupado durante a semana.

RENATO MARTINS, Agência Estado

22 de julho de 2012 | 10h09

"Demos as ordens para marchar para Alepo, com o objetivo de libertar a cidade", disse o coronel Abdul-Jabbar Mohammed Aqidi, das forças rebeldes. "Exortamos os moradores de Alepo a ficarem em suas casas até que a cidade seja libertada", afirmou o coronel em vídeo postado no YouTube pelas forças de oposição sírias, que têm, apoio dos EUA e de seus aliados europeus.

Aqidi também pediu às tropas do governo que desertem e se juntem à posição e prometeu que as forças rebeldes vão respeitar os residentes que são alauitas (seguidores da vertente minoritária do Islã à qual pertence o presidente Assad). "Nossa guerra não é com vocês, mas com a família Assad", disse o coronel.

Segundo o ativista de oposição Mohammed Saeed, combates aconteceram neste domingo em vários pontos da cidade. "Apelo está testemunhando combates de rua sérios e muitas lojas foram fechadas", disse Saeed. Segundo ele, houve combates na estrada que leva do centro de Alepo ao aeroporto internacional de Nairab; as tropas rebeldes estariam tentando cercar o aeroporto para impedir que o governo leve reforços para a cidade.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos, entidade de oposição sediada em Londres, disse que forças do governo apoiadas por helicópteros retomaram o controle dos bairros de Mazzeh e Barzeh, que os rebeldes haviam ocupado durante a semana. A entidade também disse que o general do Exército sírio Nabil Zughaib, sua mulher e seu filho foram assassinados a tiros pelos rebeldes no bairro de Bab Touma.

A emissora estatal de televisão síria negou que as tropas do governo tenham usado helicópteros de ataque em Damasco e disse que a situação era calma na cidade neste domingo. Segundo a emissora, forças especiais estariam removendo remanescentes de grupos "terroristas" da cidade. O presidente Assad também apareceu na TV, em reunião com o novo chefe do Estado-Maior do Exército, general Ali Ayyoub, que assumiu nos últimos dias depois de seu antecessor ser morto em um ataque a bomba em Damasco.

Em Londres, o Observatório Sírio de Direitos Humanos disse que o saldo de mortos no conflito, iniciado em março do ano passado, já chegou a 19 mil. Segundo a entidade, a violência deixou 2.752 mortos na Síria desde o começo de julho, o que indica que este poderá ser o mês mais violento desde o começo do conflito.

Em Riadh, o rei Abdullah, da Arábia Saudita, anunciou o lançamento de uma "campanha nacional para coletar doações para apoiar nossos irmãos na Síria", sugerindo que seu país está aumentando seu apoio financeiro às forças que tentam derrubar Assad.

Em Tel Aviv, o primeiro-ministro de Israel,, Binyamin Netanyahu, disse durante reunião do gabinete de governo que seu país está "monitorando de perto a situação na Síria", em busca de sinais de que "mísseis ou armas químicas" caiam em poder de organizações anti-Israel. O ministro da Defesa, Ehud Barak, afirmou que Israel está se preparando para um possível ataque à Síria para impedir que aquilo aconteça. As informações são da Associated Press.

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