Síria recua e aceita receber observadores

Sob forte pressão internacional, o regime do presidente sírio, Bashar Assad, aceitou formalmente ontem receber observadores árabes no país, cumprindo um acordo firmado em novembro com a Liga Árabe. Membros da oposição, no entanto, imediatamente consideraram a medida como uma manobra do ditador sírio para ganhar tempo.

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2011 | 03h02

No Cairo, o vice-chanceler sírio, Faisal al-Maqdad, assinou um documento autorizando a entrada de observadores. Em Damasco, o chanceler Walid Mualem disse que eles terão acesso ao país por um mês. "Esse entendimento poderá ser renovado em um mês, se as duas partes estiverem de acordo", afirmou.

O secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, anunciou que uma primeira delegação chegará à Síria nos próximos dias e incluirá especialistas em direitos humanos. A missão tentará assegurar a retirada das tropas de zonas urbanas e servirá de interlocutora com opositores.

O governo disse que deu sinal verde para o cumprimento do acordo após conversas com a Rússia, uma das poucas aliadas do regime, que vinha dando sinais de insatisfação com a repressão. O acordo, assinado em 2 de novembro, contempla o fim da violência, a retiradas das tropas das cidades e a proteção dos civis, entre outros pontos. Também inclui o envio de 500 observadores internacionais, medidas que Damasco tinha rejeitado por causa de algumas condições.

Mortos. Segundo o opositor Observatório Sírio de Direitos Humanos, ao menos 100 pessoas foram mortas pelas forças de segurança em várias províncias do país. Entre os mortos estão 70 militares que foram mortos quando estavam desertando perto da fronteira com a Turquia. O grupo destacou que o maior número de vítimas civis foi registrado em Deraa (sul) um dos bastiões da oposição, onde morreram 20 pessoas. / AP e EFE

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