Síria refuta acusação de que quer derrubar governo libanês

A Síria refutou nesta quinta-feira acusações dos EUA de que planeja derrubar, junto ao Irã e ao grupo libanês Hezbollah, o governo pró-ocidental do Líbano. Damasco garantiu que não interfere nos assuntos internos libaneses."Não são verdadeiras as notícias que a administração dos EUA tenta espalhar dando conta que a Síria, o Irã e o Hezbollah estão tentando desestabilizar o Líbano", afirmou num comunicado o Ministério do Exterior da Síria. "Desde que retirou suas tropas do Líbano, a Síria tem expressado apoio a tudo que os libaneses concordem através de seu diálogo nacional", acrescentou.O porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, denunciou na quarta-feira que haviam "crescentes evidências de que os governos sírio e iraniano, o Hezbollah, e seus aliados libaneses estão desenvolvendo planos para derrubar o governo democraticamente eleito do Líbano". Os comentários foram feitos após o líder do Hezbollah ter aumentado a pressão sobre o governo do Líbano por uma reforma ministerial.O Hezbollah também negou as acusações da administração Bush, e o presidente do parlamento libanês - um aliado da guerrilha - questionou as intenções dos EUA.O grupo guerrilheiro acusou Washington de interferir na política libanesa tentado respaldar o acossado governo do primeiro-ministro Fuad Saniora.Eleições libanesasO Hezbollah ameaça realizar protestos de rua para forçar a convocação de eleições antecipadas no Líbano caso não sejam atendidas suas exigências de formação de um governo de "unidade nacional" que daria aos militantes islâmicos e aliados poder de veto nas decisões.A ousada ação faz parte da ofensiva do grupo xiita para consolidar o poder político que ganhou depois da autoproclamada vitória sobre Israel em meados do ano. A iniciativa tende a exacerbar ainda mais a tensa situação política no Líbano, onde o governo recusou pedidos anteriores do Hezbollah para renunciar e permitir a formação de uma nova coalizão governista.Acusações americanasNa segunda-feira, Terje Roed-Larsen, o enviado da ONU para assuntos relacionados à Síria e Líbano, assim como o embaixador americano nas Nações Unidas, John Bolton, acusaram a Síria e o Irã de violarem o embargo imposto pela ONU, o qual visava evitar que o Hezbollah se rearmasse depois da guerra de 34 dias que travou com o Estado judeu.Roed-Larsen disse que representantes do governo libanês "declararam publicamente e também em conversas conosco que armas estão cruzando a fronteira para o Líbano".O governo libanês negou ter feito tais denúncias."Esses comentários são imprecisos", afirmou na noite de quarta-feira o ministro da Defesa do Líbano, Elias Murr. O premier Fuad Saniora também negou a denúncia de contrabando de armas feitas pelo enviado da ONU.Israel tem dito que o contrabando de armas para a guerrilha do Hezbollah tem continuado apesar do embargo internacional de armas. O governo afirma que sobrevôos de seus aviões de guerra sobre o Líbano são necessários para monitorar a situação.Um documento interno do Exército de Israel, vazado à imprensa, afirma que os controvertidos vôos visam em parte pressionar a comunidade internacional a agir pela intenção de parar o contrabando de armas e interceder junto ao Hezbollah para que liberte dois soldados israelenses seqüestrados pelo grupo.O documento contradiz declarações de oficiais israelenses de que os sobrevôos são operações rotineiras de reconhecimento visando colher informações sobre o Hezbollah.O Líbano e a ONU têm exigido que o Estado judeu suspenda os vôos militares sobre território libanês, considerando-os uma violação da resolução das Nações Unidas que pôs fim à guerra em 14 de agosto.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.