Síria registra violência, apesar de cessar-fogo

Ativistas denunciam mortes e dizem não haver evidências de retirada das tropas do regime Assad de redutos oposicionistas.

BBC Brasil, BBC

12 de abril de 2012 | 12h09

Horas após o regime do líder sírio, Bashar al-Assad, ter colocado em prática um cessar-fogo mediado pela ONU e pela Liga Árabe, com uma forte redução dos confrontos, governo e opositores já registram violações do acordo.

Pelo menos uma pessoa morreu em um suposto atentado e outros três teria morrido em Idlib e Hama, segundo ativistas. Para a oposição não há "evidência" de um início de retirada das forças de segurança.

O fim dos confrontos é o primeiro passo do plano de paz mediado pelo enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan. A retirada total das tropas do regime é uma etapa seguinte, caso a trégua seja mantida. A saída das forças de segurança inclui a retirada do aparato de guerra das áreas civis, como tanques e armamentos pesados.

De acordo com os prazos estabelecidos pelo acordo, no entanto, estas medidas já deveriam ter sido completadas.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, descreveu o cessar-fogo como "frágil" e disse que a comunidade internacional precisa "agir em união" caso o plano de paz fracasse.

Segundo o correspondente da BBC em Beirute, Jim Muir, a manhã de quinta-feira registrou um período inicial de bastante calma, com tiroteios isolados na cidade de Idlib e em alguns subúrbios da capital, Damasco.

As medidas do plano são apenas o primeiro de muitos passos necessários até que a volátil situação no país, após 13 meses de intensos confrontos, possa ser considerada estável.

Novos protestos

O principal grupo de oposição, o Conselho Nacional Sírio (CNS), demonstra ceticismo com relação à seriedade do governo quanto ao plano de paz, e diz que mesmo que a trégua perdure uma nova onda de protestos está marcada logo após a confirmação do cessar-fogo.

A intenção seria botar à prova a determinação do regime em não usar mais armamentos contra a população civil. O principal objetivo dos opositores continua sendo a renúncia de Assad, embora o plano de paz não inclua sua saída do poder e aliados, como o Irã, tenham apoiado a iniciativa da ONU desde que o líder possa permanecer no comando do país.

"Fazemos um chamado às pessoas para que protestem e se expressem. O direito de manifestação é um dos pontos principais do plano", disse Burhan Ghalioun, líder do CNS.

Tanto o regime quanto o CNS disseram que vão respeitar o cessar-fogo mas se reservaram o direito de retaliar caso sejam atacados.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Síria, Jihad Makdissi, disse à BBC que o governo estava "totalmente comprometido" com o encerramento das operações militares "desde que não haja mais violência armada contra o Estado".

"Se essas pessoas na oposição querem o bem integral do próprio país delas, terão que vir à mesa de negociação e diálogo".

Ceticismo

A repercussão dos desdobramentos na Síria junto à comunidade internacional ainda é dominada pelo ceticismo. O presidente dos EUA, Barack Obama, e a chanceler (premiê) da Alemanha, Angela Merkel, falaram na quarta-feira ao telefone e indicaram que Assad não cumpre o plano de paz em sua totalidade.

Já para o chanceler britânico, William Hague, a resposta a um eventual fracasso do cessar-fogo deve incluir um novo esforço para aprovar uma resolução mais dura no Conselho de Segurança da ONU, além de intensificar o apoio à oposição síria.

China e Rússia, que no passado vetaram resoluções condenando o regime, disseram que a oposição precisa respeitar o cessar-fogo, tanto quanto as forças de Assad.

Obama se encontrou na quarta-feira com o ministro da Defesa da Arábia Saudita, que argumenta pela entrega de armas aos opositores, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, deve se encontrar com seu colega russo, Sergei Lavrov, para discutir a crise síria.

Desde o início dos protestos antigoverno, em março de 2011, o regime sírio vem lançando uma ofensiva contra opositores que, segundo a ONU, já deixou mais de 9 mil mortos no país.

Já o governo sírio divulgou em fevereiro sua própria estimativa de vítimas: 3.838, das quais 2.493 eram civis e 1.345 membros das forças de segurança.

O enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe, Kofi Annan, deve se reporter ao Conselho de Segurança da ONU nesta quinta-feira. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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