Síria rejeita novo plano de paz e Turquia envia caças à fronteira

Governo e rebeldes sírios criticam proposta acertada na Suíça e Ancara protege espaço aéreo após incursão síria

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2012 | 03h05

A Turquia deslocou ontem caças para a fronteira com a Síria e a tensão ganhou novas proporções na região. Por sua vez, o novo plano do mediador da questão síria, Kofi Annan - fechado no sábado propondo a formação de um governo de transição - não durou nem 24 horas.

Ambos os lados no conflito deixaram claro ontem que não pretendem atender ao plano de Annan de formar um governo de união nacional. Para os rebeldes, que se reúnem a partir de hoje no Cairo, o acordo fechado em Genebra é "ambíguo" e uma "perda de tempo". "A cada dia me pergunto se eles (potências) não veem que o povo sírio está sendo massacrado?", declarou o líder da oposição Haitham Maleh.

Já a imprensa oficial do regime de Bashar Assad qualificou o documento de Genebra como um "fracasso". Segundo o jornal Al Baath, ligado ao regime, nada mudou com o acordo.

A posição dos dois lados indica que há poucas esperanças de um breve fim para o derramamento de sangue, que começou há mais de 15 meses - no início do levante contra Assad - e já deixou mais de 14 mil mortos, segundo grupos ativistas de oposição.

Ainda ontem, representantes dos rebeldes sírios anunciaram de 800 foram mortas nos confrontos e ataques, apenas na semana passada.

No sábado, potências reuniram-se em Genebra para tentar traçar um plano para conter a guerra na Síria. Mas os representantes de Rússia e China recusaram-se a aceitar um acordo para a criação de um governo de transição que excluísse Assad, como queria o Ocidente.

Tentando salvar as aparências, os chanceleres britânico e francês, William Hague e Laurent Fabius, insistiram ontem que a existência de um governo de transição significará que o poder não estará mais com Assad, algo imediatamente desmentido pela China.

Tensão. Sem uma saída diplomática à vista, o dia de ontem foi marcado por uma nova escalada no conflito. Alegando que um helicóptero do regime de Damasco havia passado perto de seu território, os turcos enviaram para a região de fronteira seis caças F-16. Outros dois incidentes parecidos haviam sido registrados pelos turcos já no sábado, com helicópteros voando perto da Província de Hatay.

A decisão foi tomada depois que um jato turco foi abatido no mês passado pelos sírios, incidente que colocou o Oriente Médio em uma posição de alerta e obrigou a Otan a declarar seu apoio aos turcos.

Um dos críticos mais duros de Assad, o governo turco já tinha enviado para a fronteira artilharia e baterias antiaéreas na sexta-feira. Ancara também alertou que havia revisto suas normas militares e passaria a tratar qualquer aproximação síria de seu território como uma "real ameaça".

O jornal The Wall Street Journal revelou que fontes americanas no fim de semana confirmaram que o avião turco havia sido abatido enquanto sobrevoava o espaço aéreo sírio. O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan reagiu de forma enérgica contra o jornal, questionando a fonte da notícia e garantindo que seu caça voava em espaço aéreo internacional. Os pilotos nunca apareceram.

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