Síria rejeita resolução da ONU sobre Líbano

O Conselho de Segurança da ONU pressionou nesta quarta-feira a Síria a responder positivamente ao pedido do Líbano para que retomem as relações diplomáticas e estabeleçam suas fronteiras, mas o governo sírio rejeitou imediatamente a medida considerando a iniciativa uma pressão tática ilegal. O ministro do Exterior adjunto da Síria, Fayssal Mekdad, se opôs veementemente à resolução. Na semana passada, ele havia pedido para que o Conselho não interferisse nas relações entre os dois países. Mekdad disse que a Síria não está "relutante" em estabelecer as fronteiras das áreas agrícolas de Chebaa, disputada pelos dois países, mas não o fará até que Israel se retire da região. Israel anexou Chebaa quando suas forças invadiram as Colinas de Golã durante a guerra Árabe-israelense, em 1967. O Líbano reivindica a região, mas as Nações Unidas determinaram que ela pertence à Síria, que deve negociar com Israel para definir a questão. A resolução apoiada pelos Estados Unidos, França e Reino Unido, foi aprovada por 13 votos a 0. Rússia e China se abstiveram argumentando que a resolução não é necessária e seria uma interferência da ONU nas relações bilaterais entre Líbano e Síria. A Síria retirou suas forças do Líbano no ano passado depois de protestos em massa contra Damasco, culpando o governo sírio pelo assassinato do premier libanês Rafik Hariri, em fevereiro de 2005. A retirada das tropas encerrou uma ocupação que durou 29 anos.Oposição à resolução Um comunicado emitido logo depois da votação pela missão síria na ONU, citando uma "fonte oficial" no Ministério do Exterior, relembra que a Síria informou ao governo libanês sobre sua decisão de restaurar as negociações em novembro. O documento também afirma que a Síria não faz objeção ao estabelecimento de relações diplomáticas "quando as circunstâncias e o ambiente permitirem". O comunicado definiu como "sem precedentes" a resolução da ONU e uma violação à Carta da ONU e à Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, além de uma "ferramenta de pressão injustificável e um agravante que complica a questão ao invés de resolvê-la".O embaixador adjunto da China na ONU, Zhang Yishan, lamentou a falta de "atitude construtiva" dos promotores do documento, e disse que não era o momento para "introduzir elementos" que podem prejudicar a frágil estabilidade na região.O embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, ressaltou que a medida adotada era "desnecessária", porque a decisão de estabelecer relações diplomáticas "é uma prerrogativa dos Estados soberanos".Churkin negou que, com sua oposição à resolução, o Conselho de Segurança tenha voltado aos tempos da Guerra Fria, mas criticou duramente os promotores do documento por terem se precipitado. Segundo o embaixador russo, não houve trabalho suficiente para conseguir a unidade dentro do órgão resolutivo da ONU.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.