Síria tenta evitar sanção da Liga Árabe

Regime de Assad convida chanceleres de países vizinhos para verificar cumprimento de acordo após anúncio de suspensão do país da entidade

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2011 | 03h06

A Síria convocou uma reunião de emergência dos ministros das Relações Exteriores dos governos da Liga Árabe para tentar evitar a entrada em vigor, na quarta-feira, da suspensão do país da entidade, aprovada sábado em reunião no Cairo. O anúncio foi feito em meio a grandes manifestações em favor do regime e ataques contra as embaixadas da Arábia Saudita, Turquia, Catar e França em Damasco (mais informações nesta página).

De acordo com o governo sírio, os chanceleres poderão trazer observadores militares e civis para ver pessoalmente a situação e verificar a aplicação do acordo assinado com a Liga Árabe há dez dias para interromper a repressão contra os opositores. Caso a suspensão não seja adotada, a Síria pode sofrer sanções políticas e econômicas dos vizinhos árabes.

A entidade, com sede no Egito, não respondeu se os países-membros aceitam o convite. Além disso, seu secretário-geral acrescentou que os opositores se reunirão com as autoridades da organização. Os adversários de Assad também se encontrarão com o chanceler da Turquia - país muçulmano, mas não árabe -, Ahmet Davutoglu.

Segundo o acordo com a Liga Árabe, o regime sírio precisa interromper a violência, retirar tanques das ruas, libertar prisioneiros e permitir a entrada de observadores independentes. Mas, desde a assinatura do pacto, mais de cem pessoas foram mortas pelas forças de segurança em Homs, foco dos protestos.

Para o governo de Bashar Assad, a suspensão da Síria foi "ilegal" e busca abrir as portas para uma intervenção estrangeira, como na Líbia. O regime de Muamar Kadafi também foi suspenso pela Liga Árabe antes da intervenção da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Os EUA e a União Europeia celebraram a decisão da Liga, mas descartam a adoção de uma operação nos moldes da Líbia. Mesmo uma aprovação de uma resolução no Conselho de Segurança condenando a violência esbarra na oposição de Rússia e China.

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