Omar Ibrahim/Reuters
Omar Ibrahim/Reuters

Síria usa apoio do Brasil para promover Assad

Agência estatal diz que Patriota ''aprecia reformas propostas pelo presidente sírio'', mas não cita críticas do chanceler brasileiro à repressão

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK - A iniciativa brasileira de negociar uma saída diplomática para a crise síria tem sido usada por Damasco para mostrar que o governo tem apoio internacional. Ontem, a agência de notícias estatal Sana disse que o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, elogiou as reformas propostas pelo presidente sírio, Bashar Assad, durante encontro com o vice-chanceler Fayssal Mikdad, em Brasília.

 

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"O ministro Patriota expressou como seu país aprecia as reformas do presidente Assad, indicando que o diálogo político é a melhor forma para resolver os problemas", diz o texto, que trazia uma montagem unindo as bandeiras brasileira e síria. Não há citação às críticas recentes do chanceler brasileiro à violência do regime contra opositores.

Em Nova York, diplomatas estrangeiros indicaram ontem que a iniciativa brasileira de mediar a crise serve apenas para o regime sírio fazer propaganda interna. O governo brasileiro é visto como muito distante dos acontecimentos, apesar de o país ter uma das maiores comunidades da diáspora síria do mundo.

Em junho, EUA, França e Grã-Bretanha ficaram irritados com a relutância do Brasil em apoiar uma resolução condenando a violência do regime de Assad, que já provocou a morte de cerca de 1,3 mil pessoas.

O texto proposto por americanos e franceses não previa sanções ou intervenção militar, como no caso da Líbia. Mesmo assim, os brasileiros disseram que não votariam a favor.

Turquia. A nação vista por diplomatas e analistas como a que tem mais chances de contribuir para a resolução da crise é a Turquia - não o Brasil. Ancara é um parceiro comercial fundamental de Assad e empresários turcos são os maiores investidores na economia síria.

O premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, foi uma das vozes mais duras contra a repressão do regime, autorizou encontros de opositores em seu território e recebeu cerca de 10 mil refugiados sírios. Além disso, a Turquia tem boas relações com todos os países envolvidos: Irã, Israel, EUA, Líbano, Jordânia, Arábia Saudita, França e Rússia.

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