Síria vai assinar Convenção da ONU para armas químicas, diz chanceler

Ministro de Relações Exteriores afirmou que país vai cooperar com resolução da Rússia

O Estado de S. Paulo,

10 Setembro 2013 | 08h51

(Atualizado às 17h15) DAMASCO - O ministro das Relações Exteriores sírio, Walid al-Moualem, afirmou nesta terça-feira, 10, que a Síria vai assinar a Convenção da ONU para armas químicas e colocar seu arsenal sob controle internacional. O ministro disse ainda que o país está disposto a cooperar para implementar uma resolução apresentada pela Rússia, disponibilizando a localização das armas químicas para Moscou, "outros países" e a ONU.

"Nós queremos nos juntar à convenção que proíbe o uso de armas químicas. Estamos prontos para cumprir nossas obrigações de acordo com essa convenção, incluindo providenciar todas as informações sobre essas armas", afirmou o chanceler.

Mais cedo, Moualem havia dito à agência estatal russa Interfax que o regime de Bashar Assad aceita a proposta russa para evitar um possível ataque militar dos Estados Unidos. Nesta tarde, em Washington, o presidente americano Barack Obama deve ir ao Senado defender seu plano de atacar instalações militares de Assad como punição ao massacre de 1,4 mil civis nos arredores de Damasco em agosto, no qual o governo americano acredita que tenha sido usado gás sarin.

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"Tivemos uma frutífera rodada de negociações com o ministro de Relações Internacionais (russo) Sergei Lavrov e ele propôs uma iniciativa relacionada às armas químicas. E à noite nós concordamos com a iniciativa russa", disse Moualem, de acordo com a Interfax. O chanceler disse que a Síria concordou porque a iniciativa iria "retirar os fundamentos para uma agressão americana", segundo a agência.

Em Moscou, Lavrov declarou que a Rússia trabalha em um plano "efetivo e concreto" para colocar as armas químicas da Síria sob controle internacional e discute  detalhes da proposta com o regime de Assad. Segundo o chanceler, o plano, que será apresentado a outras nações em breve, não é somente russo e surgiu durante contatos com os EUA.

De acordo com um porta-voz do presidente russo, Vladimir Putin, o plano foi discutido com Obama na semana passada, durante a cúpula do G-20 em São Petersburgo. "A questão foi discutida", disse o porta-voz Dmitry Peskov por telefone. Ele não disse quem abordou o tema, nem deu mais detalhes.

Cautelosa, a Casa Branca mantém o cronograma para um possível ataque. Obama deve defender no Senado um ataque contra instalações militares de Assad. "O que o presidente disse ontem à noite reflete onde estamos nesta manhã: vemos o ocorrido como um potencial desenvolvimento positivo e vemos isso como um resultado claro da pressão imposta sobre a Síria", disse o porta-voz de Obama Jay Carney à rede MSNBC, sobre a nova posição de Damasco. Obama vai fazer um pronunciamento à nação nesta terça à noite sobre o tema, disse Carney./ NYT e  REUTERS

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