Síria vai se defender de eventual ataque, diz ministro

O vice-ministro de Relações Exteriores da Síria, Faisal Mikdad, disse nesta segunda-feira que seu país vai se defender contra qualquer ataque internacional e que não será um alvo fácil na medida em que Estados Unidos e outros países intensificam suas declarações a respeito de uma resposta ao suposto ataque com armas químicas, ocorrido na semana passada num subúrbio tomado pelos rebeldes nas proximidades de Damasco.

Agência Estado

26 de agosto de 2013 | 15h01

Em entrevista à Associated Press, concedida em Damasco, Mikdad disse que ataques aéreos ou outras ações contra a Síria também dariam início ao "caos" e ameaçariam a paz e a segurança mundiais.

As declarações foram feitas no momento em que aumenta a discussão internacional sobre uma ação contra a Síria, caso seja confirmado que as tropas do presidente Bashar Assad foram responsáveis pelo ataque de 21 de agosto, que segundo ativistas deixou centenas de mortos.

Os Estados Unidos dizem que há poucas dúvidas de que o regime de Assad seja responsável pelo ataque e o secretário da Defesa Chuck Hagel declarou que o governo Obama "considera todas as opções".

O ministro de Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, também disse que caso o ataque seja confirmado, "a única opção que não posso imaginar seria fazer nada".

O ministro sírio, porém, afirmou que seu país está pronto para uma resposta.

"Não haverá intervenção militar internacional", disse Mikdad em entrevista, concedida em seu escritório. "Se países, de forma individual, querem buscar políticas agressivas e aventureiras, a resposta natural...seria que a Síria, que tem lutado contra o terrorismo por quase três anos, também se defenda contra um ataque internacional."

"Eles serão responsáveis por tal ataque, que vai resultar na morte de milhares de inocentes, como aconteceu na Líbia, e cometer ações criminais contra um país soberano", acrescentou ele. "A Síria não vai ser um alvo fácil." Mikdad não explicou como a Síria pode se defender, mas afirmou que um ataque provocaria o "caos em todo o mundo".

Ele disse que a ONU deve ter uma chance para investigar o caso antes que qualquer julgamento seja feito e "não atacar e então começar a perguntar". "Os investigadores vão fazer seu trabalho. Não é trabalho dos Estados Unidos julgar porque a decisão final será a dos inspetores (da ONU). Eles sabem o que fazer", afirmou.

Pelo acordo negociado, porém, os investigadores podem apenas verificar se armas químicas foram usadas e não indicar que lado fez uso delas. Fonte: Associated Press.

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