Síria veta entrada de assistência a feridos

Assad volta atrás e proíbe entrada de comboio humanitário com sete caminhões de alimentos, remédios, cobertores e equipamentos cirúrgicos

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA , O Estado de S.Paulo

03 de março de 2012 | 03h03

Depois de ocupar o bairro de Baba Amr, em Homs, o regime de Bashar Assad fechou o distrito a observadores internacionais e barrou entrada do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) na região. A ditadura síria foi acusada de remover as evidências de um massacre contra a população civil. Líderes da ONU e da União Europeia (UE) disseram que Assad terá de responder por seus crimes. Ontem, 75 pessoas morreram no país.

Há dois dias, a 4.ª Divisão do Exército Sírio, comandada pelo irmão de Assad, liderou a tomada com 7 mil homens e artilharia pesada, que incluía morteiros. Os rebeldes abandonaram a área.

O governo sírio tinha prometido dar acesso ao CICV. Sete caminhões de alimentos, remédios, equipamentos cirúrgicos e cobertores deixaram Damasco e chegaram a Homs, ao lado de ambulâncias do Crescente Vermelho sírio e voluntários que esperam para entrar na área. Homs, no entanto, continuou fechada às agências de ajuda. Em 26 dias de cerco, apenas 30 pessoas foram retiradas da região. Entidades humanitárias disseram se sentir traídas por Assad. A Cruz Vermelha disse não saber o número de feridos e necessitados.

A oposição, a ONU e fontes do CICV acusam o governo de "limpar a área" para não deixar rastros dos crimes. Ontem, a oposição acusou Assad de ter prendido todos os homens de 14 a 50 anos que ainda estavam no bairro e de ter executado 10 civis.

Nas prisões, relatos recebidos pela ONU são de que a tortura e as execuções ganharam um novo ritmo desde ontem. Há denúncias de que casas estão sendo incendiadas, uma por uma.

Para o governo sírio, o que os militares fizeram foi apenas uma limpeza de Baba Amr de grupos terroristas armados por potências estrangeiras.

As autoridades sírias, porém, garantiram que entregaram à Cruz Vermelha os corpos desenterrados dos dois jornalistas ocidentais mortos no dia 22 de fevereiro, Marie Colvin e Remi Ochlik. Os dois corpos foram levados ontem para Damasco.

Em Genebra, o presidente do CICV, Jacob Kellenberger, criticou o comportamento de Assad. "É também inaceitável que pessoas que estejam em necessidade de assistência emergencial por semanas ainda não possam ter sido atendidas."

Ele prometeu que sua organizações permaneceria em Homs, na esperança de ser autorizada a entrar no bairro em breve e voltou a pedir um cessar-fogo de duas horas por dia para resgatar os feridos. "A situação humanitária era muito séria e hoje está ainda pior", afirmou.

Essa não é a primeira vez que a Síria barra a ajuda humanitária internacional. Há dois dias, a enviada da ONU Valerie Amos teve seu visto recusado para entrar na Síria. Ela negociaria a criação de um corredor humanitário.

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