Sírios acusam soldados de execuções sumárias

Moradores que conseguiram fugir de Homs relataram torturas e prisões arbitrárias de civis

BBC Brasil, BBC

05 de março de 2012 | 11h24

BEIRUTE - Moradores que conseguiram fugir da cidade de Homs, na Síria, disseram à BBC nesta segunda-feira, 5, que forças de segurança do governo estão realizando execuções sumárias de civis.

 

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Uma mulher disse ao repórter da BBC Paul Wood que soldados cortaram a garganta de seu filho de 12 anos na sexta-feira, um dia depois de combatentes rebeldes terem se retirado do distrito de Baba Amr.

Ela disse que outros 35 homens e crianças da sua região também foram presos e mortos. O seu marido disse que estava escondido a 50 metros do local onde o filho foi assassinado. Ele disse ter visto um dos filhos com a cabeça no chão, pisada pela bota de um dos soldados. Em seguida, o homem viu o filho sendo morto. "Eu conseguia ouvir os berros deles", afirmou. Outra mulher disse à BBC que seu marido foi levado por forças de segurança.

O governo negou que a Cruz Vermelha tenha recebido acesso a Baba Amr por quatro dias consecutivos. Ativistas alertam para a possibilidade de uma catástrofe humanitária no local.

Não há água, luz nem linhas de telefone no distrito e nos últimos dias as temperaturas desabaram, com neve. Mantimentos de comida estão em um nível baixo e muitos temem deixar a região.

Cruz Vermelha

Na última quinta-feira, forças do governo apoiadas por tanques entraram em Baba Amr, depois que o movimento insurgente Exército pela Libertação da Síria anunciou uma "retirada estratégica".

A Cruz Vermelha e seus parceiros do Crescente Vermelho disseram que não podem entrar no distrito, devido à existência de minas e explosivos. No entanto, a televisão estatal está noticiando que a região foi "sanitizada" de "grupos terroristas armados".

Ativistas de oposição e de direitos humanos afirmam que forças de segurança e milícias pró-governo estão reunindo crianças de 14 anos ou mais em Baba Amr e os submetendo a tortura. Alguns deles estão sendo mortos. No entanto, esses relatos não foram confirmados. Segundo a agência da ONU para refugiados, entre mil e duas mil pessoas deixaram Homs e estão tentando chegar ao Líbano.

 

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