Sírios atacam prédios públicos e pedem saída de Assad

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2011 | 00h00

A Síria não era tão diferente do Egito, da Tunísia e da Líbia como diziam analistas, governos e até mesmo o presidente Bashar al-Assad. Antes imune a protestos, o líder sírio viu manifestações se expandirem de Daraa, na fronteira com a Jordânia, para o restante do país. Em mais um dia de mega protestos na cidade, milhares queimaram bandeiras, cartazes e um edifício do Partido Baath no funeral de um adolescente de 13 anos.

Atos a favor do regime também se intensificaram em Damasco e Aleppo. Para tentar conter a situação, o regime teria libertado 260 prisioneiros políticos, a maior parte composta por radicais islâmicos. A credencial de um repórter da Reuters foi confiscada. Khaled Yacoub Oweis foi expulso do país, acusado de realizar uma cobertura "antiprofissional e falsa."

De um lado, relatos de opositores falam de dezenas de milhares de pessoas nas ruas de diversas cidades da Síria. Outros, mais simpáticos ao governo, indicam que os atos a favor de Assad são bem superiores e as figuras citadas pelas oposição, exageradas.

A agência de notícias estatal Sana divulgava ontem em manchete que "atos gigantescos a favor de Assad demonstravam a importância da unidade nacional diante da campanha estrangeira que ameaça a Síria", usando a tática de acusar um inimigo externo pela instabilidade.

Uma brasileira que estuda árabe em Damasco descreveu ao Estado o cenário ontem. "A cidade estava em euforia, com carreatas, buzinas por todos os lados e bandeiras da Síria. Vi uma do Hezbollah também. Alguns carregavam fotos do Assad pai (Hafez al-Assad, morto em 2000) e filho (Bashar). Jovens, velhos e crianças participavam. Gritavam "Deus, Síria, Bashar". A praça dos Omíadas (uma das principais da capital) estava completamente tomada", afirmou.

Avi Issacharoff, analista do diário israelense Haaretz, resumiu a incerteza do que se passa na Síria em artigo publicado no sábado. "É difícil estimar a dimensão dos atos contra o governo que ocorreram na sexta-feira. Os relatos são truncados e o número de vítimas, assim como o de participantes, não estão claros. O certo é que em cidades como Damasco, Aleppo, Latakia e Homs não havia milhares de pessoas como em Benghazi, Cairo e Tunis nos primeiros dias de protestos. Apenas algumas centenas de pessoas participaram dos protestos" contra Assad, afirmou. Ainda assim, qualquer forma de protesto na Síria é inédito.

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